domingo, março 08, 2009

Os Primeiros 100 Minutos.

… Dos próximos 2.628.000…
A vida é repleta de ciclos. Um na seqüência de outro, permanentemente se complementam, se interagem, se bifurcam e se fecham, dando inicio a outros...

O mais longo de todos é o da própria vida.

Na minha opinião pessoal, 99% destes ciclos são não planejados. São obras de nossas crenças (sejam elas Deus, o Destino, o Buda, o Acaso, ou porque simplesmente estava assim escrito).
O 1% restante são nossos projetos pessoais (que incluem nossos sonhos de vida, profissionais, amizades, família...).

O curioso é que cremos que controlamos muito mais do que 1% destes ciclos, mas na realidade, estamos muito equivocados. Mesmo o 1% desses ciclos possuem variáveis que fogem totalmente do nosso controle.

Na economia e nas finanças as coisas não são diferentes. Ciclos se fecham e abrem com periodicidades variáveis, dificilmente controlados por ações especificas, são sim conseqüência de um conjunto de atos executados por nos mesmos (os seres humanos que agimos muitas vezes de forma pouco previsível).

Venho sugerindo nas últimas postagens que o atual período, que requer prudência, é uma excelente Oportunidade de Compra. Mas a afirmação parece, para muitos, algo tão impossível como querer entrar no sambódromo com uma escola de samba pela contramão!

Minha sugestão não fica só nas palavras. O fato é que continuo aumentando os pesos das empresas da Plantação.
Porto Seguro e ComGas, são duas empresas nas quais estão prestando particular atenção. Ambas são excelentes pagadoras de dividendos. No caso de Porto Seguro, que apresentou seu balanço final relativo ao 4T08, o lucro por ação foi R$1,26.
Considero estratégico colocar num portofolio de ações empresas que sejam boas pagadoras de dividendos. Ainda mais em tempos de crise, como os atuais, o fluxo gerado pelos pagamentos do produzido no portfólio podem vir a reduzir as perdas registradas do capital investido.

Não estou dizendo que unicamente deve-se investir em empresas que sejam boas pagadoras de dividendos. Se a empresa reteve os lucros e só paga o mínimo exigido pela lei Brasileira (que é 25% do lucro), e reinveste positivamente o dinheiro dos acionistas gerando mais lucros no próprio negocio. Bom, isso definitivamente é algo bom para os acionistas, que verão o retorno do capital investido crescer através do próximo pagamamento de dividendos e da própria valorização da ação.

Se o investidor possui um horizonte de longo prazo, no qual o acumulo de ações de uma determinada empresa acontece ao longo do anos. Isto significa que o pago de dividendos representara um valor absoluto que não é desprezível.
Seguindo com o exemplo da Porto Seguro, quem possui 10.000 ações da empresa, recebeu durante o exercício de 2008 R$12.000 em conceitos de dividendos.

Por que não então, o investidor, pode ter como objetivo atingir esse número de ações... ou mais?

As decisões que tomemos neste período, vão se refletir no médio e longo prazo.
Obama sabe disto... Você também sabe?

Boa Semana, Bons Negócios.
(Fonte imagem: MAD)

segunda-feira, março 02, 2009

O Futuro Nunca Esta Claro.

Você paga um preço muito alto no mercado de ações por um consenso animado. A incerteza, na realidade, é amiga do comprador de longo prazo”. (artigo de W. Buffett, 06/08/1979, Forbes).

Se você concorda com o título da postagem de hoje e com o comentário de W. Buffett, então sem duvidas, você acredita (como eu) que o momento que ante os olhos e o bolso da maioria é uma verdadeira débâcle e catástrofe generalizada é, na realidade, uma das maiores oportunidades de compra dos últimos 20 anos.

Isto não significa que o mercado já chegou no fundo do poço, ou que as ações não possam ficar ainda mais baratas... Ou tal vez, pode significar sim que o mercado chegou no fundo do poço, ou que as ações estão realmente baratas. (Incerteza é isto mesmo).


Tentar adivinhar a tendência para os próximos meses no atual contexto, é a mesma coisa que tentar adivinhar quem será o campeão do Brasileiro 2010.
Podemos até chutar, avaliar, prospectar, achar que com nosso conhecimento podemos predizer com bastante certeza o resultado. Mas na verdade, no fundo, não deixa de ser uma verdadeira incógnita.


A Bovespa não parece um Fusca que esta com problemas no carburador?
Assim que começa tomar algum tipo de velocidade e as coisas se tornam mais emocionantes, o carburador falha e perde-se rapidamente a potencia de torque. Então, quando parece que vamos ter que descer do carro, o Fusca pega de novo... E aí vamos...


Neste mês, o último do primeiro trimestre, varias empresas apresentam seus balanços. Desta forma, avaliações mais apuradas sobre o impacto da crise em cada uma das empresas analisadas, podem nos dar uma pista valiosa para escolher onde aplicar nosso dinheiro.

Na medida que nos adentramos na recessão, e enquanto se prolongue, a situação continuara achatada, pessimista, obscura, preocupante e tensa.

A queda do PIB Americano de 6,2% no ultimo trimestre de 2008, em relação ao trimestre anterior, foi uma noticia muito mais ruim do que todos esperavam. E vai se ainda pior se não para por aí...

Com tudo, o PIB Americano cresceu 1,1% em 2008, em relação a 2007. Os Americanos produziram: U$14,2 Trilhões.

Em 2007 o PIB tinha crescido 2% (em relação a 2006).

Mais do que nunca, o momento é ótimo para compras do longo prazo. Claro, com extrema prudência... lembrando, que se o futuro nunca esta claro, todos os cuidados são poucos para não deixa-lo definitivamente escuro.

Boa Semana, Bons Negócios.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Planus Econômicus Estimulus Obama’s

O Guia de Autodefesa do Investidor das Galáxias, esclarece:
“Cuidado, em caso de cheque em branco, fechar a conta imediatamente”.

O Presidente Obama conseguiu mais uma épica aprovação de mais um épico pacote de estimulo para a combalida economia americana, pelo épico valor de U$780 bilhões.
Mas, é consenso que o épico buraco continua aberto sugando dinheiro e o final da crise ainda não se vislumbra, mesmo com o esforço dos governos nacionais.

Neste contexto, adverso e com constantes surpresas negativas, como a débâcle do Dow Jones que retrocedeu para valores de 1997 (em 23/2/09).
Temos que pensar nas alternativas.
Quais alternativas são essas?

Inicialmente, acredito que liberar uma dose de testosterona poderia ser um bom começo para abaixar um pouco o nível de estresse e preocupação geral.
Acompanhe-me, funciona da seguinte forma:
“Como é que essa merda de Dow Jones volta cair dessa forma. Aqueles idiotas estão vendendo essa bosta de ações a qualquer preço, e colocando a merda do dinheiro que obtiveram em que? Em títulos do governo Americano que pagam 0,25% ao ano? Ou, comprando Ouro e pagando valores elevados pelo metal?”.

O que alguém poderia responder:
“O idiota é você que ainda esta com essa merda absurda de plantação ressecada, que do meu ponto de vista, nem que chova um dilúvio vai voltar a crescer!”.

E por aí vai... (entende?).

Uma outra alternativa é a de tentar colocar os fatos (no preto e branco) e confiar em vislumbrar a luz no final do túnel.
Claro, você pode estar chutando que a luz é o famoso trem, e eu complementaria dizendo também que a luz pode ser até do próprio Deus. (já pensou?... Vem cá meu filho!).

O pacote que Obama conseguiu aprovar de U$787 Bilhões, já disponibiliza um cheque de U$1,4 triliões se levamos em consideração o pacote aprovado por Paulson em Outubro de 2008 (U$700 bilhões).

Nestes últimos meses o governo Americano foi comprando os malditos títulos podres e vai saber qual o preço que eles estão pagando pelos títulos.
Amanhã o governo decidiu iniciar o “stress teste” para saber qual o capital necessário que deve ser colocado em cada uma dos 20 principais bancos Americanos.


Agora estão discutindo nos Estados Unidos aumentar a participação do governo nos Bancos (e porque não em outro tipo de industrias). Basicamente, Obama diz: Eu te ajudo, mas quero parte das ações de sua empresa em troca.


Pois é isso aí Camaradas. Até Paul Krugman (atual prêmio Nobel de economia) concorda com esta linha. E, na verdade, não parecem existir muitas alternativas válidas que de alguma forma terminem reconquistando a confiança perdida e restituindo a devida energia à economia Americana e ao mundo.
Só, não pode pegar a ideia por estes lados do planeta. Já pensou?

Vamos deixar aqui registados alguns fatos importantes:
  • Em 1997 o PIB Americano era de U$8,4 Triliões.
  • E o índice Dow Jones daquela época foi de 7.965.
  • Em 2008 o PIB Americano foi de U$14,4 Triliões. (Estimado)
  • O Índice Dow Jones esta em 7.114 (fechamento 24/02/09).
Tem alguma coisa que não fecha?

Umas das melhores contribuições que tivemos nestes últimos tempos foi a do site addictingames.com. Com seu jogo: O Resgate do Bilhão de Dólares.
Eles criaram um jogo (grátis) no qual você recebe U$1 trilião virtual, com esse dinheiro você poderá ajudar a sedentos proprietários e empresários que solicitam dinheiro incansavelmente. Você tem 2 minutos!
Ironicamente, não resolve nada, mas você vai entender claramente qual o problema e vai se entreter um tempão!

Boa Semana, Bons Negócios.


domingo, fevereiro 15, 2009

1970-2009.

  • Em 1970 a população do planeta era de 3,69 bilhões de pessoas.
  • Os Estados Unidos estavam participando da Guerra de Vietnam e ainda faltavam 3 anos para eles se retirarem.
  • Em 1971 o Dólar abandonaria definitivamente o padrão ouro e a moeda americana passaria flutuar livremente frente ao resto das moedas do mundo.
  • Em 1973 estourava a crise do petróleo que levaria os Estados Unidos e o mundo a uma recessão.
  • A inflação Americana se disparava para índices de 12% ao ano.
  • Em 1970 o Índice Dow Jones estava em 838 pontos.
  • Em 1981 o mesmo índice estava em 875 pontos.

(clique na imagem para aumentar)


Durante a década do 70 os juros Americanos estiveram em media 7,1% ao ano (linha vermelha no gráfico). E o índice Dow Jones (linha azul) praticamente não saiu do lugar.

O Banco Central Americano (FED) focou seus esforços em baixar o índice de inflação que rumou tenebrosamente para os 12% ao ano. Foi uma década bem bagunçada na maior economia do planeta.

A partir de 1989 os juros começam a cair fortemente e passam a ter um comportamento mais estável, igual que a inflação.

De alguma forma também podemos observar como os juros incidem no índice Dow Jones, e inclusive atuam como aceleradores de bolhas.
As bolhas, segundo Kindleberger (Manias, Panics and Crashes), podem formar-se inicialmente na bolsa, no mercado imobiliário ou nas commodities. E todas terminam interligadas. Por exemplo, quem ganha inicialmente dinheiro investindo no mercado acionário, muitas vezes começa optar por investir o dinheiro ganho no mercado imobiliário, iniciando uma nova bolha nesse setor. Isto sempre foi assim, e sempre será.

Bolhas no mercado acionário costumam começar a forma-se após de períodos de crises e juros relativos baixos. (Como agora?).

Durante a década do 90 os juros Americanos estiveram em media em 5,14% ao ano. O fato do setor de tecnologia ter entrado numa fase eufórica nessa época se deve mais a fatores Maníacos (relacionados com novas tecnologias que aparecem no mercado), mas é inegável que os juros baixos contribuíram em alimentar esta bolha.

E, por sua vez, a bolha neste setor contribuiu para formar a bolha no setor imobiliário. Quando os juros caíram fortemente no inicio desta década, contribuíram para alavancar a bolha ainda mais.

O resto é historia mais recente. Quando os juros voltaram a patamares históricos mais razoáveis (em 2005 estiveram em 5,02% ao ano), o negocio de especulação imobiliário tornou-se insustentável.
E... Plop!!! Adeus mais uma bolha.
  • Em 2002 o índice Dow Jones estava em 8.300 pontos.
  • Em 2009 o mesmo índice esta em 8.060 pontos.
  • O nível atual de juros Americanos de 0,25% ao ano é o mais baixo dos últimos 30 anos.
  • Sem dúvida este nível (ou bem próximo dele) será mantido por um longo período.
  • Qual será o setor que formara a próxima bolha? É uma excelente pergunta para se fazer neste momento.
  • Períodos turbulentos fazem parte da historia econômica, da mesma forma que o fazem períodos exuberantes. Geralmente, um precede ao outro.
  • Embora a década do 70 foi ruim, quem investiu no índice Dow Jones de aquela época, certamente não deve estar arrependido, caso ainda esteja com as ações.
  • Outra pergunta que acho interessante, mas que por enquanto desconheço a resposta, é qual percentagem do atual universo de investidores que já tinha nascido em 1970?
  • A população mundial (estimada) em 2009 é de 6,72 bilhões de pessoas (as 19:02 do 15/02/09). (ver estimativa).
Olhar para o Bosque é melhor que olhar para a árvore...
Boa Semana, Bons Negócios.

domingo, fevereiro 08, 2009

Doze Meses Depois...

Há quatro meses escrevi uma postagem que visava provocar o leitor o exercício de planejamento futuro no meio de uma grande tempestade. (você lembra desta postagem: Quatro Meses Depois).

Não se trata de ser aspirante a profeta, como alguns podem estar lucubrando. Trata-se de colocar as expectativas (as suas, as minhas) em algum lugar, preferencialmente um que seja adequado. Lembre-se que como investidores aplicamos nossos recursos financeiros na espera de obter algum retorno.
Como mensurar este retorno? Ou, como chegar num número e/ou estratégia que possua algum racional que consigamos explicar claramente, inicialmente para nos mesmos e seguidamente para outras pessoas?

Aqueles que enxergam o caminho de perto, podem se surpreender aonde o caminho vai levá-los. Em contrapartida, aqueles que seguem e enxergam o caminho de longe, tem a possibilidade de vislumbrar se o rumo é o desejado...


Tentar enxergar o caminho 12 meses adiante significa iniciar um processo de questionamentos, próprio, sabendo que as respostas podem estar certas ou erradas (e que tudo sempre: Depende):

  • As coisas podem ficar ainda pior?
  • Pode a recessão se estender ainda mais por um longo período (mais do que 12 meses, por exemplo)?
  • Os planos de Obama de estimulo a economia Americana e de ajuda financeira aos bancos com problemas, podem não dar resultado?
  • A economia Brasileira pode desacelerar ao ponto de entrar em recessão?
  • Inicialmente todas os setores sofreram com a crise (em maior ou menor medida), mas não todos vão recuperar-se no mesmo ritmo. Qual setor resulta mais atrativo nestes momentos? E depois?
  • Diferentes setores da economia Brasileira esta sendo afetados pela crise, isto pode vir impactar nos lucros e conseqüentemente na cotação da ação. Até onde vai essa queda?
  • O BC do Brasil vai continuar abaixando a taxa SELIC, isto sem duvida tem que causar impacto na economia Brasileira... Dentro de alguns meses, digamos 6? 12?...
  • Nos últimos 20 anos, cada vez que os juros Americanos desceram consideravelmente, geraram algum tipo de bolha, seja no mercado de ações ou no mercado imobiliário e estouraram quando esta mesma taxa subiu. Se novamente teremos o mesmo efeito, significa que atualmente estamos vivendo o período de formação de uma nova bolha. Mesmo que ainda estamos sofrendo os efeitos do estouro da anterior. Paradoxal?
  • O índice Bovespa pode atingir a marca de 52.000 ou 63.000 pontos nos próximos 12 meses? Ou pode ficar abaixo do atual nível de 42.000?
  • E o Dólar? Volta abaixo dos psicológicos R$2?
  • Qual o limite da desaceleração do comercio na economia mundial?
  • Se países como China são dependentes, por exemplo, do abastecimento externo de commodities (e não falo para produzir, mas sim para sobreviver), não parece evidente que assim que os atuais estoques comecem a ficar preocupantemente baixos, a China terá que voltar a comprar insumos (e porque não do Brasil)?
A lista de perguntas pode continuar. Mas o exercício mental com este grupo inicial já estimula algum tipo de conclusão.
A idéia é você não esquecer da sua.

A minha fica comigo.

... Mas, se de fato continuo comprando ações, é algo evidente qual é minha conclusão para os próximos 12 meses.


Claro, que toda prudência é pouca, enquanto continue o atual ciclo recessivo em Brasil e pessoas continuem ameaçadas de perderem seus empregos, e consequentemente sua renda, fica difícil saber até onde chega o tamanho do buraco.

Seja como for, só vamos conferir o 8 de Fevereiro de 2010. Lucros ou Perdas vão depender de nossas decisões presente...

Boa Semana, Bons Negócios.

domingo, fevereiro 01, 2009

Avaliação de Oportunidades

“A confiança aumenta com a velocidade de crescimento de um coqueiro, e diminui com a velocidade da queda de um coco”. (Montek S. Ahluwalia, vice-chairman da Comissão de Planejamento da índia em conferencia em Davos).

Como as chances de cometer algum erro nunca são nulas, é importante possuir um racional que argumente nossos passos.
Em primeiro lugar o exercício, pode ter certeza, ira aprofundar seus conhecimentos em investimentos e no negocio em questão.
Em segundo lugar, você irá aperfeiçoando seu método a ponto de torná-lo mais confiável para você mesmo. E isso é valiosíssimo.
E, em terceiro lugar, pode afastar o sentimento de culpa caso as coisas não dêem certo. (Isto é, ficará mais confortável e se sentira menos idiota; provando para você mesmo que o método ainda deve ser apurado).

Consideremos a pergunta: Quanto vale o negocio? Ou esta outra: Vale a pena entrar no negocio pagando um valor X? Que sabemos pode ter inúmeras respostas, e ainda pior, que podem variar dia após dia dependendo do humor do mercado.

Fazer uma compra no “achometro” é um erro muito mais comum repetidamente executado por um numero extraordinariamente grande de investidores. Entrar na onda de compras quando o mercado esta eufórico é outro. É necessário utilizar alguma ferramenta que, no mínimo, nos ajude a aproximar algum valor relativamente (é também questionavelmente) coerente.

Eis aqui um caso prático.

(clicar na imagem para aumentar)

Considerações importantes:
  • O Valor Patrimonial da Ação é obtido a partir da seguinte formula (VPA): (Patrimônio Liquido / Número total de Ações da Empresa);
  • Embora existem controvérsias em trabalhar diretamente com o valor do Patrimônio Liquido publicado no balanço. Isto se deve a que os ativos não necessariamente estejam representados por seus valores reais (ou de mercado). O que indudavelmente afetará o resultado final.
  • Como deverão ser considerados os valores em Pesquisa e Desenvolvimento? (como um ativo?) (qual seu valor?). Ou outro tipo de investimentos (incluindo os financeiros)?
  • Reservas de capital ou de inventario, podem ou não ser retiradas do ativo.
  • E os valores intangíveis? (como marcas, etc).
  • O valor da ação no quadro acima é o valor de fechamento de cada ano.
  • O VPA da Industria é o valor obtido do benchmark de empresas de setores similares do mercado americano.
  • O Preço Estimado da Ação é VPA 2008 * Media VPA. Considerando a Media da própria empresa e não da Industria.
  • No caso particular de Ideiasnet, obter o VPA da Industria resulta mais difícil devido a diversidade de empresas que compõem seu portfólio. (Internet, Varejo on-line, Comunicação, etc).
  • O investidor pode obter seu VPA para as mesmas ou outras empresas, pesquisando os balanços publicados.
  • Como Alexandre Póvoa menciona no seu livro Valuation, Como Precificar Ações. Os Indicadores têm valor em Conjunto. (Nunca podem ser avaliados issoladamente).
  • Alem do livro de Povoa, temos o livro de Security Analysis (Benjamin Graham), onde as vantagens e desvantagens da utilização deste indicador são expostas e analisadas em detalhe.
Tenho quase certeza que um número imensamente infinitesimal de investidores, tinham noção de qual o VPA da empresa que estavam adquirindo ações em Maio de 2008, quando o Índice Bovespa estava no seu máximo.

Para ser mais especifico, por exemplo, o 29/05/08 o valor de mercado da Perdigão era de R$11 bilhões versus um VPA que dava R$2,85 bilhões de valor da empresa.

Boa Semana, Bons Negócios.

domingo, janeiro 25, 2009

Mercado Kamikaze.

Em nossa constante e árdua tarefa para nos enriquecer, sempre, invariavelmente, aparecem obstáculos no caminho. Podemos dizer que esta é a única constante da qual temos certeza, o resto que é o resto, não deixa de ser menos importante. Investir é, inicialmente, muito estudo e pesquisa, ainda mais perseverança e a habilidade de nunca deixar de aprender com os erros do passado. Lembrando que como humanos, fatalmente, podemos tropeçar duas vezes na mesma pedra.
Dito isto, saiba que mesmo assim, nenhum lucro esta garantido.

Voar a 3 erros de altura nos garante que uma manobra errada não derrube nosso aeromodelo. (contribuição de meu antigo professor de voo RC).

Em Julho de 1997 (há mais de 10 anos) o Índice Bovespa estava em 13.494. Em Setembro de 1998 o mesmo índice estava em 5.398.
Foi uma queda de 60%!
O motivo do crash, foi a quebra da banda cambial e o inicio do cambio flutuante, lembra?

Em Maio de 2008 o Índice Bovespa estava em 72.593. Em Novembro de 2008 o mesmo índice estava em 31.251. Desta vez a queda foi de 56,95%!
O motivo do crash, a propagação da crise de crédito Americana para o resto do mundo e a quebra do Lehman Brothers que abalou a confiança no sistema financeiro.

Ambos eventos catastróficos no mercado não são diretamente comparáveis. Mas algumas estratégias podem ser testadas.
Primeiramente podemos corroborar a importância do investimento de longo prazo.
Os ganhos de um investidor nesse período variariam de 131% até 1.244%, dependendo do momento que entrou na bovespa e do momento que saiu.

(Por exemplo, no pior caso nosso investidor hipotético A (paciente sem timing) entrou no mercado quando a Bovespa estava em 13.494 e vendeu tudo quando a Bovespa estava em 31.251. Acumulou lucro de 131%.).

(clique no gráfico para aumentar a imagem)

Em segundo lugar, podemos corroborar que é depois da queda Kamikaze do Índice que a possibilidade de comprar com uma boa margem de segurança aparece de forma mais visível.
Curiosamente é na atual fase da crise que muitos investidores (feridos) relutam (até previsivelmente) em retornar ao mercado, ou mesmo continuar nele...

Por que estes mesmos investidores não vacilaram em entrar no mercado quando o avião estava ganhando altura?
Jason Zweig (em Your Money and Your Brain) diz que é por causa de que nosso cérebro analisa enganosamente o mercado passando a falsa sensação de que é mais previsível.
Isto explica, segundo Jason, porque muitos compram na fase de alta, quando vem acumulando ganhos e sentem (falsamente) que descobriram o padrão do mercado...

Nesta semana, como tinha sinalizado, comprei mais ações de ALL a R$7,90 para a Plantação.


Boa Semana, Bons Negócios.

domingo, janeiro 18, 2009

Comprar quando a maioria vende.

O título da postagem de hoje é um desses clichês que inúmeras vezes tenho relutado em utilizar. Mas desta vez, não consegui uma frase mais direta que resuma o atual estagio do mercado.
A queda significativa na quantidade de negócios que acontecem na Bovespa e o volume (em R$) que geram são um fato indiscutível de que a maioria dos investidores escolheu ficar o mais longe possível da bolsa. Poderíamos traduzir isto (literalmente e sem autorização de Herbert Richers) no impacto que tem no declínio dos preços das ações.

Como a massa de pessoas que pretende vender suas ações (pelo motivo X) é bem maior da massa que pretende comprar as mesmas ações (pelo motivo Y), quem esta do lado comprador pode sentar-se tranqüilamente e puxar para comprar a maior quantidade de ações com o dinheiro que tem disponível.
Do outro lado, temos pessoas tentando vender a menor quantidade de ações e obter o maior preço possível (boa sorte).

Não é necessário olhar para as estatísticas para saber quem esta, por enquanto, levando vantagem.

Recentemente um humorista americano diz que Wall Street não se chama mais assim, agora é Wall-Mart Street.
Podemos dizer que por aqui estão chamando a Bovespa de “Compre Bem Barateiro”?

Na Plantação a estratégia de compra continua focada em America Latina Logística, empresa da qual podemos dizer que, dentre suas varias qualidades, o preço da ação (ALLL11 R$8,30; 16-01) esta por abaixo do preço do Valor Patrimonial da Ação (ALL11 R$9,08).
O significa que? Significa que se compramos a empresa, vendemos todos seus ativos e pagamos todas suas dividas, ainda estaríamos ganhando dinheiro: Algo em torno de 8,59%!



Não sei no seu caso, mas eu não disponho de 23 Bilhões de Reais para comprar ALL, mas não podemos negar que é mais um indicador de que as coisas não estão muito bem calibradas no mercado...

Terça-feira temos um dia importantíssimo.
Por um lado assume Barack Obama, o primeiro Presidente negro Americano. Assume com a grande expectativa de que ele faça um governo muito, mas muito melhor que o do seu antecessor. Não só o próprio povo americano conta com isto, o resto do mundo também.

Por outro lado, temos reunião do COPOM, e neste sentido a expectativa é de que o BC corte a SELIC em pelo menos 0,75%... tem quem diz que podemos ter um corte de 1%.
Seja com for, os analistas estão discutindo qual será o tamanho do corte, e não se terá ou não terá corte.

Boa Semana, Bons Negócios.

domingo, janeiro 11, 2009

Próximos Passos.

Quem gosta de futebol sabe que não se pode acreditar no resultado do jogo até que o jogo termine.
Enquanto o jogo acontece e o marcador muda (para um lado ou outro), os torcedores insistem em que o diretor técnico (do time em dificuldades) altere a estratégia do jogo.

Isto resulta em algo bastante estressante para o diretor técnico, e também, por que não, para os torcedores. As coisas costumam ficar claras após que o jogo acaba.

No mercado não deveria ser diferente, salvo que você tenha uma estratégia de curto ou curtíssimo prazo; Que não é o caso para a Plantação.
Durante o transcorrer dos meses, e dos anos, o jogo pode ser favorável para o investidor, extremamente favorável, pode estar empatado, pode estar perdendo, e às vezes pode estar apanhando...

Rendimento de R$1000 investidos na plantação, jun-04 até dez-08.

Diante o acumulo de noticias económicas desalentadoras no mundo e no Brasil, e com o índice Bovespa em seus níveis de Maio de 2006; Na verdade é que quem esta com recursos disponíveis para investir, faz tempo que não dispunha de uma oportunidade tão boa.

Claro que o nível de desconfiança esta nas nuvens e além. Mas isto não deve deixar que nuble suas analises e perspectivas.


Não se pode esquecer a regra básica de que cada R$1 investido pode transformar-se em R$10, ao longo dos anos (isto se você não tem pressa).

Segue a lista de empresas que estou avaliando investir proximamente:

América Latina Logística (ALLL11);
Porto Seguro (PSSA3);


Lista de empresas em estudo:

Marcopolo (POMO4);
Wilson Sons (WS0N11);
Sistema Educacional Brasileiro (SBEE11);

Boa Semana, Bons negócios.

domingo, janeiro 04, 2009

99% Persistência.

Na primeira postagem de 2008 “Sofrendo 2008 (Pay per View)” escrevi que o ano que passou seria complicado. Na segunda postagem, “Melhores empresas para investir em 2008”, escrevi que a pergunta mais importante nesse momento não era qual a melhor empresa, mas sim Quando. Deixei claro que o timing faria toda a diferencia.

Doze meses depois aqui estamos novamente, machucados porem vivos.

O grande erro que cometi em 2008 foi o de ter entrado na onda de compras quando o índice Bovespa aranhava os 75.000 pontos (ou melhor deveria dizer, metros de altura). Foram as compras de alguns lotes de Ideiasnet que me levaram mais rapidamente para baixo quando o mercado despencou. (Mas foram compras feitas em Novembro de 2007).

Por incrível e paradoxal que possa parecer, continuo acreditando fortemente nesta empresa. Em 2008 efetuei unicamente 6 operações (ainda considero que foram muitas), e todas foram de compras. E foram compras de Ideiasnet!

Em perspectiva, e depois de verificar uma baixa de 40% na Bovespa, vender no topo do índice tivesse sido uma excelente escolha. Mesmo pagando os 15% de I.R....

Mas, escolhi deixar os pássaros voando em lugar de pegar o pássaro na mão.

Vou arriscar escrever que 2009 não será como 2008. Será melhor.
No atual cenário recessivo, o próximo passo deve ser sair desta maldita recessão.
Tem que diz que sairemos desta crise em 9 meses, tem quem diz que sairemos em 24 meses; existem ainda os que chutam 60 meses. Seja como for, não tenho dúvidas que o mercado irá melhorar muito antes que a economia real.

O índice fechou 2008 em 37.550, o que é muito baixo. As principais economias do mundo estão em recessão (U.S, Europa, Japão...), os juros estão na beira dos 0% ao ano, o valor dos commodities despencaram 50% e o do petróleo caiu 70% desde seu valor máximo de U$147.

Com tudo o Brasil tem grandes chances de sofrer uma desaceleração no crescimento da economia (no PIB), mas não uma recessão.

O índice do PIB/Capitalização Bursátil várias vezes publicado abordado neste blog, voltou aos valores considerados normais (e sadios). Lembrando que esse número oscila entre 30% e 50% do PIB.



A janela de compra a preços baixos irá continuar aberta por algum tempo, mas não será para sempre!

Em algum momento os feridos que hoje continuam longe do mercado porque continuam sangrando, começarão a voltar ao mercado puxando os preços para cima. O ideal seria voltar antes que eles.

Não desista. Seja persistente.

Boa Semana, Bons Negócios.
(Referencia PIB/Capitalização Bursátil, ler: Em Caso de Bolha Guarde Todos os Pregos).

segunda-feira, dezembro 29, 2008

2009 (Buffering... )

Para muitos pode resultar tentador ou até trivial, nestes tempos financeiramente obscuros e quase sem perspetivas, escrever sobre o desalentador panorama económico de 2009.
Abrir um jornal ou revista e ler sobre mais uma noticia desanimadora é tão rotineiro e previsível quanto a leitura do horóscopo.

Aparentemente qualquer esperança de melhoria económica foi simplesmente esquecida na sacola de Papai Noel e levada de regresso ao polo norte. É unanimidade que os atuais tempos recessivos estão aqui para ficar indefinidamente e/ou imprevissivelmente.

Em uma coisa podemos estar de acordo: Imprevisivelmente é o melhor adjetivo qualificativo desta crise, e deste ano que termina nesta semana.

Pode até não ser um ano facil (como não foi 2008); Mas a esperança (e o desejo) de que 2009 seja um ano melhor é algo que não podemos nos dar o luxo de perder.


... Um Feliz e Prospero 2009 (abundantemente prospero)!!!

Stock Buster.

domingo, dezembro 21, 2008

Shut Down (na Bovespa)

Diante da metralhadora de medidas aprovadas nestes últimos meses (tanto no Brasil como nos Estados Unidos, na Europa, e em muitos países emergentes), fica evidente que por enquanto o remédio não esta surtindo o efeito desejado.
Isto é, nem a recessão esta sendo evitada no mundo, nem as bolsas estão-se recuperando.

Existe um grupo que afirma que o remédio demorará em sortir efeito (juros baixos, planos de resgate, bilhões por aqui, bilhões por lá). Isto faz sentido, já que a baixa de juros demora aproximadamente 6 meses em refletir na economia real... Pensar no segundo semestre de 2009 como inicio da recuperação, não é algo insano para este grupo.
Existe outro grupo que afirma que a única coisa que resta fazer de concreto para reanimar a economia e o mercado é dar um Viagra à Bovespa.

Logicamente o primeiro grupo não entende nada.

... Na realidade estas ultimas duas semanas são mais para desfrutar em família que para ficar de olho no mercado. Investir neles neste Natal e Final de ano é a melhor opção que como investidores podemos aplicar.
O importante é procurar um motivo para comemorar. Seja porque o ano terminou, seja porque um novo ano esta começando, ou seja pelo motivo que você quiser.

A má noticia de que os Estados Unidos estão em recessão já foi confirmada até pelo presidente Bush, ainda em 2008. Não é incrível? Deve ter sido seu primeiro acerto em muitos... anos?

Em contrapartida, a boa noticia é que “finalmente” os Estados Unidos estão em recessão. O próximo passo deveria ser a recuperação... Ansiosamente esperada por centenas de investidores (nós inclusive).

Nesta penúltima postagem do ano: Gostaria de agradecer especialmente você leitora e leitor deste humilde blog, por ter acompanhado e compartilhado por mais um ano de as idéias, acertos e desacertos...
Por ter aprendido juntos
, por nos divertir juntos, e por nos enriquecer juntos... Investindo.

Fico muito grato por sua leitura! Obrigado!

Que tal comemorar com Jim Carrey este final de 2008 e inicio de 2009? Gostei do vídeo, assim que vai como presente de Natal. Duvido que você não esboce um sorriso.

Boa Semana, Bom Natal...



segunda-feira, dezembro 15, 2008

Unplugged (na Bovespa).

2008 esta chegando ao fim. Ou melhor, deveríamos dizer: 2008 esta chegando ao fim, graças a Deus!

Este foi um desses anos que acumulamos grandes aprendizados, e grandes rombos no portfolio. Claro, que tudo faz parte, só que (aqui entre nós) não estava previamente calculado um rombo deste tamanho.

Mas, como investidores que seguimos um plano, lembrando que todos devem ter um anotado em algum lugar... Mesmo que seja na cabeça. É nestas épocas que não devemos esquecer de ler novamente o que planejamos lá atrás de forma pragmática, e porque não heróica e corajosa. Certo?!

A recompensa deste ano na Plantação foi de R$0,00. Em termos absolutos, e também em qualquer outro tipo de termos.
É importante ressaltar que esse valor nem faz cócegas no meu Hipotálamo (centro de nosso cérebro ligado às recompensas). Bem falou Jason Zweig (em Your Money and Your Brain), temos que ser conscientes de que inconscientemente nossas decisões são fortementes influenciadas pela bendita glándula do Hipotálamo...

Segundo Jasom, evoluídos ou não, nossas decisões (de seres humanos) em muitos casos não se diferenciam às dos animais (sem menosprezar nenhum animal, começando comigo mesmo).

Muitas vezes achamos que estamos no controle de fatos que indiscutivelmente fogem de nosso controle e que são completamente aleatórios.

Quer uma prova?
Vamos fazer o seguinte teste: (escolha uma das opções).

A) Eu vou escolher uma ação (aleatoriamente) da lista de empresas (são 400) que cotizam na Bovespa publicada no jornal Valor. Você ira dizer para mim se amanha esta ação vai subir ou baixar sua cotação. Se você estiver certo, você ganha R$10; Se você estiver errado você perde R$10.

B) Eu vou escolher uma ação (aleatoriamente) da lista de empresas (são 400) que cotizam na Bovespa publicada no jornal Valor. Você irá dizer para mim se ontem esta ação subiu ou abaixo sua cotação. (Logicamente você não pode olhar no jornal para saber o valor da ação). Se você estiver certo, você ganha R$10; Se você estiver errado você perde R$10.

Qual opção você acha que é a melhor?
Guarde sua resposta... isto é para você aprender a conhecer-se melhor...

Este experimento foi realizado na Universidade de Standford, e 2/3 dos participantes optaram pela primeira opção. Embora a maioria das pessoas saiba que ambas opções possuam idênticas probabilidades (50/50).
Para 2/3 dos participantes a opção (A) é muito mais confortável simplesmente porque sentem que o resultado não esta fora de seu controle.
É claro que é um controle ilusório, porem o fato de ter que aguardar o dia seguinte para conhecer o resultado leva às pessoas a sentirem que, segundo seu conhecimento e analise da empresa em questão, as chances de acertar aumentam.

Os fatos acontecidos neste ano estiveram totalmente fora de nosso controle. Da mesma forma que estarão os fatos de 2009, 2010, 20xx... !

A idéia não esta em controlar ou prever os fatos com exatidão cega, mas sim em errar o mínimo possível.
Sempre que estamos tomando uma decisão de investimento, nosso sistema de recompensa (e nosso Hipotálamo) entra em ação inconscientemente. Não existe ser humano que fuja disto. Existe sim, quem conscientemente reflete melhor e pensa com calma e tempo antes de investir...

Aposto R$10 que você esta pensando nisto neste momento!

Boa Semana, Bons Negócios.
(Nota: Últimas semanas do ano!)


domingo, dezembro 07, 2008

Na véspera de Natal.

Aqueles caras em Davos que estavam esquiando em Janeiro de 2008 (lembra?), enquanto por aqui os preparativos para o Carnaval esquentavam, incrivelmente ou não, acertaram quase que na mosca os fatos que se desenrolaram neste histórico e perturbado ano de 2008.

Poderíamos especular sobre diferentes hipóteses, qual foi o motivo para não levar estes caras a serio, mas se algo apavorantemente profético aconteceu em Davos em Janeiro deste ano, a verdade é que talvez nunca saberemos. O fato é, que o relatório que ficou no blog disponível desde sua publicação (ver seção Que Acontece?: (9/1)...), hoje é quase que uma triste e profética historia escrita no melhor estilo Nostradamus
.


(Avaliação de riscos de perdas económicas, Relatório Davos 2008)

O estouro da bolha mobiliaria Americana derivou no calote massificado das hipotecas de segunda linha, que por sua vez acabou colocando na beira do precipício bancos Americanos e Europeus; imediatamente depois o crédito (combustível do consumo e da produção) foi praticamente extinto.

Posições acionarias foram vendidas a qualquer preço (nas bolsas do mundo), para cobrir a falta de dinheiro e conseqüentemente vivemos o declínio de todos os índices acionários.

A falta de crédito e a perda do valor dos ativos nos mercados (incluindo commodities agrícolas e energéticas) esta levando hoje à necessidade de queda na produção (por causa da falta de demanda e dos estoques ainda elevados nas industrias). A baixa na produção deriva da necessidade das industrias/empresas em diminuir o número de funcionários e isto aumenta o desemprego, e o aumento do desemprego realimenta o ciclo de baixa na demanda.

Por que? Mesmo que Lula insista que compremos TVs, carros, e outras coisas, na verdade é que a possibilidade (incerteza) de perda do emprego no curto ou médio prazo leva às famílias (consumidores) a puxar o freio nos gastos. É assim aqui ou em qualquer outra parte do mundo.

Isto é um cenário recessivo. E é o cenário que estamos atualmente vivendo.

Se você é um investidor de curto prazo ou um Day-trader, daqueles que acorda olhando gráficos e escutando as cotações das bolsas asiáticas e européias enquanto faz a barba, este blog definitivamente não é para você.

Mas se você é um investidor de médio e longo prazo, um pouco por convicção, um pouco forçado pela atual conjuntura, saiba que somos muitos os que ainda investimos avaliando os fundamentos das empresas, e conservamos a peregrina esperança de que os preços das ações voltem num patamar mais racional.

Sem pressa. Com paciência. Sabendo que o que hoje para muitos é caótico e decepcionante, para nós é oportunidade. E se nós não aproveitamos a oportunidade, alguém mais com certeza o fará.

Nas vésperas de Natal, muitas coisas podem soar como contos natalinos, cabe unicamente você saber ouvir e acreditar na coisa certa.

Boa Semana, Bons Negócios.
(Nota, não perca: Decisão do COPOM nesta quarta-feira. Cara ou Coroa?).
(Fonte: Relatório Davos: Global Risk 2008).


segunda-feira, dezembro 01, 2008

América Latina Logística (ALL) ###

Declaração de Bernardo Hees, Diretor Presidente da ALL. (Fonte: Relatório 3T08.)

... Em um dos cenários de mercado mais difíceis já enfrentados em um terceiro trimestre, temos o prazer de anunciar um crescimento consolidado de 10,2% de receita, de 13,2% de EBITDAR, de 17,6% de EBITDA e um aumento de lucro líquido da ordem de 24,0%.

As exportações agrícolas nos portos onde operamos caíram 33% no trimestre, comparada ao mesmo período de 2007, refletindo a decisão dos produtores e das traders em manter a produção estocada a espera de uma melhora nos preços das commodities e na taxa de câmbio.

Nossa participação de mercado nos portos passou de 50% no 3T07 para 71% no 3T08...

Como a capacidade de armazenagem deverá estar livre para receber a nova safra no início de 2009, o volume não transportado no 3T08 deve ser exportado até o final do ano, indicando um 4T08 mais forte que o habitual.

Nos 9M08, aumentamos nosso volume em 8,9%, receita
em 17,3%, EBITDAR em 18,6%, EBITDA em 25,6% e, o lucro líquido, excluindo os itens não recorrentes, em 103%.

Mantemos nosso guidance de crescimento de volume entre 12% e 14% para 2008, uma vez que as perspectivas apontam para forte transferência das exportações do 3T08 para o 4T08.

Adicionalmente, com mais de R$2,5 bilhões em caixa e sem necessidade de acessar o mercado de crédito nos próximos dois anos, acreditamos estar numa posição segura para sustentar os investimentos necessários para suportar nosso crescimento e para aproveitar as oportunidades potenciais no mercado tanto em cenários positivos como negativos.

Em preparação para 2009, já adquirimos 50 locomotivas e os primeiros 600 vagões dos contratos com nossos clientes. Diante do aumento da incerteza com a crise, reduzimos nosso guidance de CAPEX para R$600 milhões, crescimento de volume entre 10%-12% e um crescimento marginal de yield para 2009, de forma a preservar ainda mais nosso caixa e forçar ganhos de produtividade, mantendo assim, nossa forte confiança nos fundamentos positivos da ALL... .

Como o negocio da ALL é o transporte de mercadorias, commodities e materia prima. Independetemente do valor que estes produtos tenham no mercado, ALL ganha ou perde na equação de tranportar os produtos no menor custo possivel até seu destino e obter lucro nesta operação.

Se pensarmos em num possível cenario recessivo em 2009 (no mundo e, no Brasil), cabe a pergunta: até que ponto este cenário poderá afetar o volume transportado pela ALL?

(Tonelada Quilometro Util: TKU, fonte site de all)

A safra estimada para este ano é de 144,3 mihões de toneladas, versus 133,1 milhões de toneladas (de 2007). Já para o ano de 2009 o IBGE estima uma diminuição da safra na ordem de 3,3%. (ver nota).

ALL iniciou alguns anos atras uma estratégia de diversificação nos produtos transportados pela sua malha ferroviária e frota de caminhões, basicamente visando diversificar a dependencia que naquel momento tinha no transporte de commodities agrícolas.

Hoje a composição da receita de ALL é:


Ainda não consigo avaliar se, alem da crise de crédito, deveria ser levado em consideração a ultima catastrofe climatica na região de Santa Catarina. Ou até ponderar possiveis novos eventos deste tipo na região sul do Brasil (principal produtora de graõs).

Contudo, e apesar de riscos latentes. ALL tem demonstrado possuir a capacidade de crescer além do crescimento do PIB do Brasil.

O crédito em algum momento será restaurado, a crise em algum momento ira passar.

... Continuo achando muito interessante investir nesta empresa.
E consequentemente estarei aumentando seu peso na Plantação.

Boa Semana, Bons Negócios.


domingo, novembro 23, 2008

Buscando um Porto Seguro.


“Pedro Álvares Cabral, achou seu Porto Seguro lá pelos anos de 1500, e deu inicio à colonização e a historia do Brasil...”

E se Dom Cabral tivesse avaliado na época, que o Porto Seguro não era tão seguro assim e, conseqüentemente, ordenasse continuar navegando?

Como Investidores muitos procuram um porto seguro, ainda mais nesta época em que o mar esta muito agitado. Um investimento pelo qual se obtenha um retorno satisfatório em troca de um risco mínimo ou inexistente.

Sabemos que não existe investimento sem risco, e que não necessariamente o retorno esta associado ao risco do ativo.

Confiscos da poupança, calote de títulos públicos, apartamentos que nunca terminaram de serem construídos ou que devem ser vendidos a preços menores que os pretendidos, bancos que fecham suas portas, ações que despencam, empresas que quebram, Moedas que afundam, Ouro que reluz de tempos em tempos, aposentadorias que se evaporam...

A historia esta repleta de exemplos de investimentos sem risco (ou de risco controlado) que engolirão o dinheiro do investidor.
Alguém sabe dizer quem pagou a conta dos POPs, aqui no Brasil (POP: investimento em renda variável com proteção, limita o ganho e limita a perda)? Por que os bancos não estão divulgando com insistência esse tipo de investimento tão vantajoso para o investidor nas circunstâncias atuais?

Particularmente acho importante ter investimentos com diferentes tipos de risco. Mas, cada investidor deve encontrar qual é seu nível adequado de diversificação, baseado: não em quanto dinheiro quer obter de retorno, mas sim em quanto dinheiro esta disposto há perder. Qual é sua real tolerância ao risco? Isto porque sempre erramos em algum momento, e será nesse momento que as perdas vão aparecer!

O mundo continua atordoado pela desconfiança global. Com o passar do tempo (dias, semanas, meses) uma idéia que hoje parece absurdamente suicida irá ganhando força, uma vez que certo nível básico de certeza seja alcançado aqueles que entesouraram durante este tempo ativos seguros (ex: Dólar, Ouro, Títulos do tesouro Americano) decidiram voltar ao mercado e pagaram seu preço por isto.


A idéia que estou tentando transmitir aqui é que não adianta comprar um seguro após ter batido seu carro. O preço que você deverá pagar nessa transação inviabiliza o negócio.

Lembrando, alias, que esses ativos hoje pagam retornos praticamente nulos, que não asseguram sua deterioração em relação ao poder de compras e, terminarão ao longo do tempo apagando o fruto de seu trabalho.

O dilema, claro, não é pequeno. Minha intenção não é dar uma resposta certa nesta postagem, mesmo porque eu não a tenho. Pretendo sim, fazer você refletir.

Guardada as devidas proporções, com Dom Cabral, suas escolhas e decisões irão afetar seu próprio porvir financeiro. Você colhera os frutos que você plantou hoje, no futuro.

Boa Semana, Bons Negócios.

terça-feira, novembro 18, 2008

Intervalo.

(Tenho decidido operar no longo prazo, talvez fique o dia todo com as ações).

Nesta semana, estou num pequeno intervalo. Por esta razão, caro leitor/a (e Investidor/a), não efetuei a clássica atualização Dominical do blog.

De todas formas, deixo aqui registrado mais uma aumento na quantidade de ações de Ideiasnet realizado na semana anterior. Com compras de
IDNT3 a R$2,41.
Este aumento esta na linha da estratégia de aumento de posições durante esta fase de crise. O número de ações atingiu a meta que tinha estabelecido no inicio, sendo assim, as compras serão focalizadas agora em ALL.

Ontem Ideiasnet publicou o resultado do
3T08, divulgando uma Receita Líquida de R$ 231,4 milhões e EBITDA de R$ 7,4 Milhões no 3T08. Com tudo, registrou um resultado liquido negativo de R$1,2 milhões. (ver documento com a divulgação dos resultados aqui).

Boa Semana, Bons Negócios.



domingo, novembro 09, 2008

A Recessão, segundo o FMI.

Sou sempre muito cético com qualquer tipo de relatório que faça previsões sobre o futuro da economia ou do mercado financeiro, embora leia todos os que aparecem na minha frente.
Se previsões fossem certeiras, ninguém teria sido pego nesta crise profunda... Claro, sempre existe alguém que sai ileso, mas você terá que concordar comigo que não são aqueles que fizeram as previsões nem aqueles (como nós) que a leram.


(Gráfico interativo, fonte: imf.org dataMapper).

Esclarecido este ponto, o Fundo Monetário Internacional (imf.org), disponibilizou seu relatório anual de perspectivas econômicas em uma tentativa válida de resgatar sua controvertida reputação e sua função na economia mundial.

O relatório de 321 páginas (download completo aqui), explica em detalhes as perspectivas econômicas traçadas pela equipe do FMI para cada um dos países contemplados no documento.

Inicialmente fica claro que, para o FMI, esta é a maior e mais perigosa crise financeira desde a Grande Depressão de 1930. Teremos uma desaceleração do PIB, em 2008, nas economias desenvolvidas (linha vermelha do gráfico), nas economias emergentes e em desenvolvimento (linha azul), e uma modesta recuperação do PIB durante 2009.


Para o caso especifico do Brasil a previsão é de 5,23% de crescimento para 2008, 3,5% para 2009. Embora esteja prevista uma desaceleração, por enquanto, ninguém esta prevendo uma recessão no Brasil.




Levando em consideração que quase 40% das empresas que cotizam na Bovespa tem suas receitas vinculadas às commodities e matérias primas, cujos preços tem sofrido de fortes oscilações (como se corrobora no gráfico de lado), não podemos deixar escapar que seu impacto no índice Bovespa, e na economia em geral, continuará ser percebido ainda por um tempo.

Segundo o relatório, em 2009 a recuperação econômica devera acontecer da seguinte forma:
  • Os preços dos produtos básicos deverão estabilizar-se, a baixa do petróleo deverá impulsionar seu consumo nos países importadores deste produto.
  • Espera-se que o setor mobiliário nos Estados Unidos chegue finalmente ao fundo no próximo ano. O que deveria ajudar a limitar as conseqüências financeiras do setor hipotecário, e seguidamente reativar a disponibilidade de crédito na economia.
  • Não obstante, as economias emergentes ainda sofreram com seu próprio dinamismo, esta resistência poderia ser quebrada com o crescimento da produtividade e a melhoria nos quadros políticos. Evidentemente, quanto mais longa e dura seja a crise financeira, é mais provável que sejamos mais afetados.
A semana que passou foi marcada por fatos históricos, bem como remarcou Alberto Tamer em sua coluna dominical: “... O mundo já não é mais o mesmo de dois meses atrás”.
Que Barack Obama tenha vencido as eleições Americanas inundou de otimismo (ao menos momentâneo) não só aos próprios Americanos, mas também ao mundo todo. Sabe-se que este fato não resolvera os problemas instantaneamente, mas pode vir ha dar crédito (em tempo) para que novas medidas sejam discutidas e executadas.

Tivemos também a reunião do G-20, e esta claro que a perda de espaço no poder mundial devido ao recuo Americano esta sendo disputada pelo grupo que representa 90% do PIB mundial, 80% do Comercio e 2/3 da População. (Nota: o restante 20% do comercio pertence aos Estados Unidos!). Particularmente, penso que um mundo ainda mais globalizado, democrático e com maior participação, deverá trazer mais benefícios para todos...

A plantação tem sofrido nestes últimos meses de forma persistente, escrever isto não me deixa nada feliz, mas devemos afrontar os fatos e continuar atentos às oportunidades. Passei a publicar também a disponibilidade de dinheiro em caixa para novas aquisições.

Mas como Warren Buffett escreveu no seu famoso artigo “The Superinvestors of Graham-and-Doddsville” (1984), quando explicava o que significa comprar com a famosa Margem de Segurança:

“... Se posso comprar uma nota de U$1 por 40 centavos, algo maravilhoso esta acontecendo comigo.”

Boa Semana, Bons Negócios.

(Fontes: Relatório WEO do FMI; site do G-20; Secutity Analysis sixth Edition, ver também: The The Superinvestors of Graham-and-Doddsville.)


domingo, novembro 02, 2008

De W. Buffett para Lula.

A noticia da queda de 0,3% do PIB Americano abre as portas para que a tão temida recessão seja tecnicamente confirmada. (Lembrando que para que um país esteja tecnicamente em recessão são necessários dos trimestres consecutivos de queda no PIB).

Para conseguir avaliar o impacto da queda do PIB Americano e da crise mundial na economia Brasileira, deveremos ficar de olho nos seguintes indicadores econômicos: Balança Comercial, Venda
s no Varejo, Inflação, Produção Industrial, Taxa de Cambio, Taxa de Juros, Índice de Inadimplência, Mercado de Trabalho. Além de indicadores como a Taxa de Investimento (em % do PIB)...

Não há dúvidas que o impacto na Bovespa assume (por parte dos investidores) que a crise será profunda e duradoura. Isto deixou uma longa e extensa lista de oportunidades, com o preço das ações das empresas em valores bastante deprimidos. Claro, o fato de hoje estarem deprimidos não significa que amanha não estarão mais.


O quadro abaixo exemplifica como o valor de mercado das empresas da Plantação está em sua maioria desfasados dos ativos que a empresa possui. Algo que há muito tempo não acontecia. A última vez que tivemos um cenário similar foi em 1998 com a crise da desvalorização do Real (Setembro 98).

Sendo radical, em muitos casos seria muito lucrativo comprar a empresa pelo seu valor de mercado e vender depois todos seus ativos. Não é estranho?

Como já falei, continuo acreditando fortemente que esta é: Época de Compras.

Terça-feira teremos eleições nos Estados Unidos, com grandes chances de que vença Barack Obama. (Esta semana as atenções estarão focadas aqui).

Resulta interessante apreciar como o o Presidente Lula segue (ou tenta seguir) os conselhos de W. Buffett. (será que existiu troca de emails?)
Quando Lula anunciou nesta semana que o Governo Brasileiro poderia adquirir ações de bancos em dificuldades (sem esclarecer quais bancos são esses?), no mínimo ele estava seguindo o ultradifundido conselho de Buffett, de Comprar quando Todos Vendem, e Vender quando Todos Compram.
A autorização (através de MP) para que o BB e a Caixa comprem bancos é uma estratégia, por parte do Governo, que visa mais espantar temores que obter ganhos.

Não seria também muito bem recebido pelo mercado e pelo resto dos Brasileiros a possibilidade de aumentar investimentos em Educação e Saúde? Isso sim é investimento de longo prazo!

Boa Semana, Bons Negócios.



domingo, outubro 26, 2008

Talvez, uma terapia de grupo resolva...

Provavelmente você este procurando saber qual é a melhor coisa que pode ser feita nestes momentos. A boa noticia é que você não esta só nessa busca, Governos estão procurando, Empresas estão procurando, Investidores estão procurando...
A única certeza que temos é que tudo parece muito incerto no curto e médio prazo.

De forma constante os governos das principais economias do mundo tem tentado apaziguar e reconquistar a confiança de nosso amigo “Mercado”. Que por enquanto esta mais desconfiando que nunca.

O Dr. Paulo Sternick é psicanalista (formado pela UFRJ em 1975) radicado no Rio de Janeiro. Ele estuda o campo da Neuroeconomia (ciência que estuda a economia e o comportamento dos mercados através do comportamento humano). Escreve artigos em vários jornais, entre eles o jornal Valor. E foi neste último que ele escreveu o artigo “Tão volátil quanto o mercado é a lucidez humana”, que motivou esta entrevista.
Desde já, agradeço muito a colaboração do Dr. Sternick com o blog de Stock Buster.

1) O campo da neuroeconomia é relativamente novo e não são muitos os investidores que levam seus estúdios em consideração no momento de tomar suas decisões de investimentos. Você acredita que veremos uma mudança nos próximos anos e um avanço desta ciência no Brasil?

Na verdade, o significante “neuroeconomia” remete a uma campo de estudo em que o humano é reduzido a dimensões mais simples de impulso e resposta, ou, pelo menos, a uma simplificação comportamental, caso a referência ou comparação de abordagem seja, por exemplo, questões mais complexas como a subjetividade humana tal como pensada pela psicanálise. A minha praia é a psicanálise, não a neurociência. Enquanto psicanalista, presumo que eu tenha uma posição privilegiada para pensar o econômico e o mercado, nomeadamente o sujeito que opera nele, e a massa que ele vai constituir com uma infinidade de players. Esta massa –ou grupo – também tem um interesse particular para a psicanálise: Freud a estudou profundamente, e W.R. Bion trouxe revelações extremamente interessantes: ambos fizeram contribuições fundamentais para a compreensão da psicologia do mercado, sem saber no seu tempo que faziam isto.

2) No seu artigo publicado no jornal Valor, "Tão volátil quanto o mercado é a lucidez humana", você menciona que "a tal massa chamada de "mercado" pode descer na escala evolutiva do pensamento quando parece dotada de matriz peculiar, capturando dados e índices diariamente da economia mundial e reordenando-os a partir de mitos, temores, desejos ou preconceitos". Como o mercado, composto de seres humanos, pode em algum momento tomar consciência de que muitas vezes esta sendo levado pelo famoso efeito manada (completamente irracional e totalmente emocional)?

Quem toma consciência é o indivíduo. O mercado não tem consciência, no sentido que damos à razão e à lucidez. Funciona como se tivesse uma mentalidade grupal primitiva que reúne o somatório das crenças, angustias, expectativas, receios, medos, esperanças e reações humanas diante de índices e acontecimentos. Não raro age como uma criança diante do escuro, de um estranho ou de um estrondo: sai correndo desesperado. Mais adiante pode vir a compreender que não é assim tão assustador. Outras vezes sintetiza o equilíbrio dos cálculos e previsões bem feitas. Ainda em outras ocasiões festeja ao som da euforia. O mercado é um mar sujeito à calmaria e bom senso tanto quanto ao vento da loucura, quando invade cidades e arrasa patrimônios. Você nunca deve brincar com o mercado: deve teme-lo e respeita-lo. Jamais brigar contra ele, mesmo que você possa ter toda a razão do mundo, e ele estar completamente errado. Charles MacKay, um poeta, jornalista (foi do The Times) e escritor inglês, se não me engano quem primeiro escreveu sobre as bolhas econômicas em seu livro “Extraordinary Popular Delusions and the Madness of Crowds”, disse uma frase memorável: “Os homens enlouquecem em massa, mas recuperam os sentidos aos poucos, um a um”.

3) Por que, na sua opinião, as pessoas têm uma forte tendência a desestimar ou até ignorar as emoções nos momentos de tomada de decisão?

Isto vem da tradição do pensamento ocidental, desde Platão, Aristóteles, culminando em Descartes, até chegar aos impagáveis economistas do século XX, que, munidos de modelos econométricos, se iludiram de que sua ciência era cientificamente exata e que os mercados eram eficientes, subtraindo o humano e os sentimentos das decisões econômicas. Tanto quanto a psicologia havia recalcado a idéia do inconsciente, até o advento da psicanálise freudiana. Então, isto faz parte da nossa constituição psíquica, pelo menos no Ocidente, a de enterrar o que é torto, gauche – tudo que não é controlado pela racionalidade superficial. Só que esta racionalidade é estreita demais para abarcar o amplo espectro de nossa subjetividade, do desejo humani infinito, a onipotência arrogante. Você viu no que deu?

4) A atual retração (crash) do mercado se deve em grande parte ao problema dos créditos de segunda linha do mercado americano (Subprime) que gerou uma retração forte na disponibilidade de crédito. Embora seja perceptível que o impacto na economia real esta acontecendo, ainda é incerto como esta crise irá impactar no lucro das empresas (Quando? Quanto?). Sabemos que o efeito de vendas massivas não é a primeira vez que acontece na historia... Porque não conseguimos evoluir deste estágio emocional?

Alan Greenspan disse que isto vai se repetir de geração em geração, sem que haja aprendizado, os ciclos de pânico e euforia. Com a velocidade dos acontecimentos da atualidade, nem precisamos mais esperar pela sucessão de gerações: há crises em quase todas as décadas. Mesmo assim as pessoas não aprendem, na hora do sufoco, saem correndo; na hora da euforia, compram vorazmente. Quem ganha são os profissionais, que agem com serenidade e aproveitando as oportunidades. Não viu a frase recente do Warren Buffet, de que quando a massa está voraz, ele fica prudente; quando a massa fica prudente, ele fica voraz? Mas isso não é assim tão mecânico, às vezes você tem que respeitar a massa e ir com ela.

5) Colocando o "mercado" no divã. Se você tivesse que fazer um diagnostico sobre o comportamento dos investidores no mercado Brasileiro, qual seria?


Não, quer dizer, já é complexo demais analisar uma pessoa no divã, imagine o mercado brasileiro...Acho que em relação ao mercado brasileiro quem foi mais insano foi o investidor estrangeiro, aliás, escrevi isto num artigo também para o “Valor”, intitulado “Investidor estrangeiro é um risco para o pregão”. Ali eu mostrei que eles sabem tanto de nossas empresas quanto dançar samba. Saíram vendendo em massa, sem saber se as empresas iriam ser realmente afetadas pela crise, se eram exportadoras, e eu não acredito nessa lorota de que precisavam fazer caixa. Não era só isso não: saíram em pânico, porque pensaram que podíamos quebrar, enquanto quem estava quebrando eram eles. E queriam vender com lucro e voltar quando o mercado se acalmar e tiver com preços deteriorados. Você verá em breve. Que eles por enquanto fiquem aplicando a 1,5% ao ano nos títulos do Tesouro americano: daqui a pouco tempo vão ficar com aquela expressão de otários e voltarão a olhar para algumas de nossas empresas, que, só de dividend-yeld, podem dar até 13% (como é caso de certas elétricas ou telefônicas). Não tem risco-Brasil? Sabe, acho que temos que criar um risco-Tio Sam. Veja o caso da Usiminas, que mal exporta seu aço, e está com sua produção toda vendida para este ano no mercado interno: o preço da ação despencou de mais de 90 para menos de 30! Claro que com ajuda dos que alugaram suas ações promovendo um ataque especulativo.
E a Petrobrás, que não guarda correlação estreita com o preço internacional do petróleo: parece até que eles operam automatizados no computador, petróleo cai, Petrobrás cai. Uma bobagem. Mas o problema do mercado brasileiro é a sua ainda doença infantil de dependência, tanto do investidor estrangeiro quanto das empresas de commodities. E o mais engraçado é que quando a Bolsa cai movida por esses dois fatores, todas as empresas, mesmo as que não têm nada a ver com o pato, caem juntas e na mesma proporção. Parece até aqueles pássaros que voam juntos.

6) Se você tivesse que dar 3 conselhos aos investidores, de forma de ajuda-os a avaliar suas emoções antes de tomar uma decisão, quais seriam?

Não agir por impulso, pensando nas conseqüências de suas decisões e avaliando todas as probabilidades, inclusive as mais impensáveis (como as que aconteceram recentemente). Não transformar seus investimentos em tortura emocional, colocando apenas uma parte liquida de que não precisará usar no curto prazo, prevendo que possa se desvalorizar por um tempo e mantendo a capacidade de comprar ações caso elas fiquem com preço bastante atraente. E jamais ceder ao destemor e à arrogância de operar alavancado, fazendo operações a termo ou vendas a descoberto – exceto se for profissional ou se quiser separar dinheiro para apostar prevendo que possa perder. Nunca esquecer que o maior risco somos nós mesmos, e que impulsos autodestrutivos podem operar sem que tenhamos chance de percebe-los a tempo. Além do mais, cuidado: Bolsa vicia!

7) De forma geral, podemos conhecer como o Dr. aloca seus investimentos. Quanto porcento em Renda Fixa, quanto em Ações ou Fundos?

Não abro mão de alocar parte substancial em imóveis – um hedge que não se mexe, apesar das tentações... Gosto de operar minhas próprias ações, seja a longo prazo, daytrade ou swing, e venda coberta de opções. Mantenho uma parte razoável em renda fixa, porém, isto varia de acordo com o momento. Atualmente, os preços das ações ficaram convidativos, e a porcentagem em Bolsa aumentou. Quanto menor está o índice Bovespa, menores são as chances de perda. Porém, há uma lição básica que não se deve esquecer: o fundo sempre pode ficar cada vez mais baixo...

Obrigado Dr. Sternick!

Boa Semana, Bons Negócios.
(Nota: Nesta semana teremos decisão "psicológica" do COPOM.)