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segunda-feira, março 02, 2009

O Futuro Nunca Esta Claro.

Você paga um preço muito alto no mercado de ações por um consenso animado. A incerteza, na realidade, é amiga do comprador de longo prazo”. (artigo de W. Buffett, 06/08/1979, Forbes).

Se você concorda com o título da postagem de hoje e com o comentário de W. Buffett, então sem duvidas, você acredita (como eu) que o momento que ante os olhos e o bolso da maioria é uma verdadeira débâcle e catástrofe generalizada é, na realidade, uma das maiores oportunidades de compra dos últimos 20 anos.

Isto não significa que o mercado já chegou no fundo do poço, ou que as ações não possam ficar ainda mais baratas... Ou tal vez, pode significar sim que o mercado chegou no fundo do poço, ou que as ações estão realmente baratas. (Incerteza é isto mesmo).


Tentar adivinhar a tendência para os próximos meses no atual contexto, é a mesma coisa que tentar adivinhar quem será o campeão do Brasileiro 2010.
Podemos até chutar, avaliar, prospectar, achar que com nosso conhecimento podemos predizer com bastante certeza o resultado. Mas na verdade, no fundo, não deixa de ser uma verdadeira incógnita.


A Bovespa não parece um Fusca que esta com problemas no carburador?
Assim que começa tomar algum tipo de velocidade e as coisas se tornam mais emocionantes, o carburador falha e perde-se rapidamente a potencia de torque. Então, quando parece que vamos ter que descer do carro, o Fusca pega de novo... E aí vamos...


Neste mês, o último do primeiro trimestre, varias empresas apresentam seus balanços. Desta forma, avaliações mais apuradas sobre o impacto da crise em cada uma das empresas analisadas, podem nos dar uma pista valiosa para escolher onde aplicar nosso dinheiro.

Na medida que nos adentramos na recessão, e enquanto se prolongue, a situação continuara achatada, pessimista, obscura, preocupante e tensa.

A queda do PIB Americano de 6,2% no ultimo trimestre de 2008, em relação ao trimestre anterior, foi uma noticia muito mais ruim do que todos esperavam. E vai se ainda pior se não para por aí...

Com tudo, o PIB Americano cresceu 1,1% em 2008, em relação a 2007. Os Americanos produziram: U$14,2 Trilhões.

Em 2007 o PIB tinha crescido 2% (em relação a 2006).

Mais do que nunca, o momento é ótimo para compras do longo prazo. Claro, com extrema prudência... lembrando, que se o futuro nunca esta claro, todos os cuidados são poucos para não deixa-lo definitivamente escuro.

Boa Semana, Bons Negócios.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

América Latina Logística (ALL) ###

Declaração de Bernardo Hees, Diretor Presidente da ALL. (Fonte: Relatório 3T08.)

... Em um dos cenários de mercado mais difíceis já enfrentados em um terceiro trimestre, temos o prazer de anunciar um crescimento consolidado de 10,2% de receita, de 13,2% de EBITDAR, de 17,6% de EBITDA e um aumento de lucro líquido da ordem de 24,0%.

As exportações agrícolas nos portos onde operamos caíram 33% no trimestre, comparada ao mesmo período de 2007, refletindo a decisão dos produtores e das traders em manter a produção estocada a espera de uma melhora nos preços das commodities e na taxa de câmbio.

Nossa participação de mercado nos portos passou de 50% no 3T07 para 71% no 3T08...

Como a capacidade de armazenagem deverá estar livre para receber a nova safra no início de 2009, o volume não transportado no 3T08 deve ser exportado até o final do ano, indicando um 4T08 mais forte que o habitual.

Nos 9M08, aumentamos nosso volume em 8,9%, receita
em 17,3%, EBITDAR em 18,6%, EBITDA em 25,6% e, o lucro líquido, excluindo os itens não recorrentes, em 103%.

Mantemos nosso guidance de crescimento de volume entre 12% e 14% para 2008, uma vez que as perspectivas apontam para forte transferência das exportações do 3T08 para o 4T08.

Adicionalmente, com mais de R$2,5 bilhões em caixa e sem necessidade de acessar o mercado de crédito nos próximos dois anos, acreditamos estar numa posição segura para sustentar os investimentos necessários para suportar nosso crescimento e para aproveitar as oportunidades potenciais no mercado tanto em cenários positivos como negativos.

Em preparação para 2009, já adquirimos 50 locomotivas e os primeiros 600 vagões dos contratos com nossos clientes. Diante do aumento da incerteza com a crise, reduzimos nosso guidance de CAPEX para R$600 milhões, crescimento de volume entre 10%-12% e um crescimento marginal de yield para 2009, de forma a preservar ainda mais nosso caixa e forçar ganhos de produtividade, mantendo assim, nossa forte confiança nos fundamentos positivos da ALL... .

Como o negocio da ALL é o transporte de mercadorias, commodities e materia prima. Independetemente do valor que estes produtos tenham no mercado, ALL ganha ou perde na equação de tranportar os produtos no menor custo possivel até seu destino e obter lucro nesta operação.

Se pensarmos em num possível cenario recessivo em 2009 (no mundo e, no Brasil), cabe a pergunta: até que ponto este cenário poderá afetar o volume transportado pela ALL?

(Tonelada Quilometro Util: TKU, fonte site de all)

A safra estimada para este ano é de 144,3 mihões de toneladas, versus 133,1 milhões de toneladas (de 2007). Já para o ano de 2009 o IBGE estima uma diminuição da safra na ordem de 3,3%. (ver nota).

ALL iniciou alguns anos atras uma estratégia de diversificação nos produtos transportados pela sua malha ferroviária e frota de caminhões, basicamente visando diversificar a dependencia que naquel momento tinha no transporte de commodities agrícolas.

Hoje a composição da receita de ALL é:


Ainda não consigo avaliar se, alem da crise de crédito, deveria ser levado em consideração a ultima catastrofe climatica na região de Santa Catarina. Ou até ponderar possiveis novos eventos deste tipo na região sul do Brasil (principal produtora de graõs).

Contudo, e apesar de riscos latentes. ALL tem demonstrado possuir a capacidade de crescer além do crescimento do PIB do Brasil.

O crédito em algum momento será restaurado, a crise em algum momento ira passar.

... Continuo achando muito interessante investir nesta empresa.
E consequentemente estarei aumentando seu peso na Plantação.

Boa Semana, Bons Negócios.


domingo, novembro 23, 2008

Buscando um Porto Seguro.


“Pedro Álvares Cabral, achou seu Porto Seguro lá pelos anos de 1500, e deu inicio à colonização e a historia do Brasil...”

E se Dom Cabral tivesse avaliado na época, que o Porto Seguro não era tão seguro assim e, conseqüentemente, ordenasse continuar navegando?

Como Investidores muitos procuram um porto seguro, ainda mais nesta época em que o mar esta muito agitado. Um investimento pelo qual se obtenha um retorno satisfatório em troca de um risco mínimo ou inexistente.

Sabemos que não existe investimento sem risco, e que não necessariamente o retorno esta associado ao risco do ativo.

Confiscos da poupança, calote de títulos públicos, apartamentos que nunca terminaram de serem construídos ou que devem ser vendidos a preços menores que os pretendidos, bancos que fecham suas portas, ações que despencam, empresas que quebram, Moedas que afundam, Ouro que reluz de tempos em tempos, aposentadorias que se evaporam...

A historia esta repleta de exemplos de investimentos sem risco (ou de risco controlado) que engolirão o dinheiro do investidor.
Alguém sabe dizer quem pagou a conta dos POPs, aqui no Brasil (POP: investimento em renda variável com proteção, limita o ganho e limita a perda)? Por que os bancos não estão divulgando com insistência esse tipo de investimento tão vantajoso para o investidor nas circunstâncias atuais?

Particularmente acho importante ter investimentos com diferentes tipos de risco. Mas, cada investidor deve encontrar qual é seu nível adequado de diversificação, baseado: não em quanto dinheiro quer obter de retorno, mas sim em quanto dinheiro esta disposto há perder. Qual é sua real tolerância ao risco? Isto porque sempre erramos em algum momento, e será nesse momento que as perdas vão aparecer!

O mundo continua atordoado pela desconfiança global. Com o passar do tempo (dias, semanas, meses) uma idéia que hoje parece absurdamente suicida irá ganhando força, uma vez que certo nível básico de certeza seja alcançado aqueles que entesouraram durante este tempo ativos seguros (ex: Dólar, Ouro, Títulos do tesouro Americano) decidiram voltar ao mercado e pagaram seu preço por isto.


A idéia que estou tentando transmitir aqui é que não adianta comprar um seguro após ter batido seu carro. O preço que você deverá pagar nessa transação inviabiliza o negócio.

Lembrando, alias, que esses ativos hoje pagam retornos praticamente nulos, que não asseguram sua deterioração em relação ao poder de compras e, terminarão ao longo do tempo apagando o fruto de seu trabalho.

O dilema, claro, não é pequeno. Minha intenção não é dar uma resposta certa nesta postagem, mesmo porque eu não a tenho. Pretendo sim, fazer você refletir.

Guardada as devidas proporções, com Dom Cabral, suas escolhas e decisões irão afetar seu próprio porvir financeiro. Você colhera os frutos que você plantou hoje, no futuro.

Boa Semana, Bons Negócios.

domingo, novembro 09, 2008

A Recessão, segundo o FMI.

Sou sempre muito cético com qualquer tipo de relatório que faça previsões sobre o futuro da economia ou do mercado financeiro, embora leia todos os que aparecem na minha frente.
Se previsões fossem certeiras, ninguém teria sido pego nesta crise profunda... Claro, sempre existe alguém que sai ileso, mas você terá que concordar comigo que não são aqueles que fizeram as previsões nem aqueles (como nós) que a leram.


(Gráfico interativo, fonte: imf.org dataMapper).

Esclarecido este ponto, o Fundo Monetário Internacional (imf.org), disponibilizou seu relatório anual de perspectivas econômicas em uma tentativa válida de resgatar sua controvertida reputação e sua função na economia mundial.

O relatório de 321 páginas (download completo aqui), explica em detalhes as perspectivas econômicas traçadas pela equipe do FMI para cada um dos países contemplados no documento.

Inicialmente fica claro que, para o FMI, esta é a maior e mais perigosa crise financeira desde a Grande Depressão de 1930. Teremos uma desaceleração do PIB, em 2008, nas economias desenvolvidas (linha vermelha do gráfico), nas economias emergentes e em desenvolvimento (linha azul), e uma modesta recuperação do PIB durante 2009.


Para o caso especifico do Brasil a previsão é de 5,23% de crescimento para 2008, 3,5% para 2009. Embora esteja prevista uma desaceleração, por enquanto, ninguém esta prevendo uma recessão no Brasil.




Levando em consideração que quase 40% das empresas que cotizam na Bovespa tem suas receitas vinculadas às commodities e matérias primas, cujos preços tem sofrido de fortes oscilações (como se corrobora no gráfico de lado), não podemos deixar escapar que seu impacto no índice Bovespa, e na economia em geral, continuará ser percebido ainda por um tempo.

Segundo o relatório, em 2009 a recuperação econômica devera acontecer da seguinte forma:
  • Os preços dos produtos básicos deverão estabilizar-se, a baixa do petróleo deverá impulsionar seu consumo nos países importadores deste produto.
  • Espera-se que o setor mobiliário nos Estados Unidos chegue finalmente ao fundo no próximo ano. O que deveria ajudar a limitar as conseqüências financeiras do setor hipotecário, e seguidamente reativar a disponibilidade de crédito na economia.
  • Não obstante, as economias emergentes ainda sofreram com seu próprio dinamismo, esta resistência poderia ser quebrada com o crescimento da produtividade e a melhoria nos quadros políticos. Evidentemente, quanto mais longa e dura seja a crise financeira, é mais provável que sejamos mais afetados.
A semana que passou foi marcada por fatos históricos, bem como remarcou Alberto Tamer em sua coluna dominical: “... O mundo já não é mais o mesmo de dois meses atrás”.
Que Barack Obama tenha vencido as eleições Americanas inundou de otimismo (ao menos momentâneo) não só aos próprios Americanos, mas também ao mundo todo. Sabe-se que este fato não resolvera os problemas instantaneamente, mas pode vir ha dar crédito (em tempo) para que novas medidas sejam discutidas e executadas.

Tivemos também a reunião do G-20, e esta claro que a perda de espaço no poder mundial devido ao recuo Americano esta sendo disputada pelo grupo que representa 90% do PIB mundial, 80% do Comercio e 2/3 da População. (Nota: o restante 20% do comercio pertence aos Estados Unidos!). Particularmente, penso que um mundo ainda mais globalizado, democrático e com maior participação, deverá trazer mais benefícios para todos...

A plantação tem sofrido nestes últimos meses de forma persistente, escrever isto não me deixa nada feliz, mas devemos afrontar os fatos e continuar atentos às oportunidades. Passei a publicar também a disponibilidade de dinheiro em caixa para novas aquisições.

Mas como Warren Buffett escreveu no seu famoso artigo “The Superinvestors of Graham-and-Doddsville” (1984), quando explicava o que significa comprar com a famosa Margem de Segurança:

“... Se posso comprar uma nota de U$1 por 40 centavos, algo maravilhoso esta acontecendo comigo.”

Boa Semana, Bons Negócios.

(Fontes: Relatório WEO do FMI; site do G-20; Secutity Analysis sixth Edition, ver também: The The Superinvestors of Graham-and-Doddsville.)


domingo, novembro 02, 2008

De W. Buffett para Lula.

A noticia da queda de 0,3% do PIB Americano abre as portas para que a tão temida recessão seja tecnicamente confirmada. (Lembrando que para que um país esteja tecnicamente em recessão são necessários dos trimestres consecutivos de queda no PIB).

Para conseguir avaliar o impacto da queda do PIB Americano e da crise mundial na economia Brasileira, deveremos ficar de olho nos seguintes indicadores econômicos: Balança Comercial, Venda
s no Varejo, Inflação, Produção Industrial, Taxa de Cambio, Taxa de Juros, Índice de Inadimplência, Mercado de Trabalho. Além de indicadores como a Taxa de Investimento (em % do PIB)...

Não há dúvidas que o impacto na Bovespa assume (por parte dos investidores) que a crise será profunda e duradoura. Isto deixou uma longa e extensa lista de oportunidades, com o preço das ações das empresas em valores bastante deprimidos. Claro, o fato de hoje estarem deprimidos não significa que amanha não estarão mais.


O quadro abaixo exemplifica como o valor de mercado das empresas da Plantação está em sua maioria desfasados dos ativos que a empresa possui. Algo que há muito tempo não acontecia. A última vez que tivemos um cenário similar foi em 1998 com a crise da desvalorização do Real (Setembro 98).

Sendo radical, em muitos casos seria muito lucrativo comprar a empresa pelo seu valor de mercado e vender depois todos seus ativos. Não é estranho?

Como já falei, continuo acreditando fortemente que esta é: Época de Compras.

Terça-feira teremos eleições nos Estados Unidos, com grandes chances de que vença Barack Obama. (Esta semana as atenções estarão focadas aqui).

Resulta interessante apreciar como o o Presidente Lula segue (ou tenta seguir) os conselhos de W. Buffett. (será que existiu troca de emails?)
Quando Lula anunciou nesta semana que o Governo Brasileiro poderia adquirir ações de bancos em dificuldades (sem esclarecer quais bancos são esses?), no mínimo ele estava seguindo o ultradifundido conselho de Buffett, de Comprar quando Todos Vendem, e Vender quando Todos Compram.
A autorização (através de MP) para que o BB e a Caixa comprem bancos é uma estratégia, por parte do Governo, que visa mais espantar temores que obter ganhos.

Não seria também muito bem recebido pelo mercado e pelo resto dos Brasileiros a possibilidade de aumentar investimentos em Educação e Saúde? Isso sim é investimento de longo prazo!

Boa Semana, Bons Negócios.



domingo, outubro 26, 2008

Talvez, uma terapia de grupo resolva...

Provavelmente você este procurando saber qual é a melhor coisa que pode ser feita nestes momentos. A boa noticia é que você não esta só nessa busca, Governos estão procurando, Empresas estão procurando, Investidores estão procurando...
A única certeza que temos é que tudo parece muito incerto no curto e médio prazo.

De forma constante os governos das principais economias do mundo tem tentado apaziguar e reconquistar a confiança de nosso amigo “Mercado”. Que por enquanto esta mais desconfiando que nunca.

O Dr. Paulo Sternick é psicanalista (formado pela UFRJ em 1975) radicado no Rio de Janeiro. Ele estuda o campo da Neuroeconomia (ciência que estuda a economia e o comportamento dos mercados através do comportamento humano). Escreve artigos em vários jornais, entre eles o jornal Valor. E foi neste último que ele escreveu o artigo “Tão volátil quanto o mercado é a lucidez humana”, que motivou esta entrevista.
Desde já, agradeço muito a colaboração do Dr. Sternick com o blog de Stock Buster.

1) O campo da neuroeconomia é relativamente novo e não são muitos os investidores que levam seus estúdios em consideração no momento de tomar suas decisões de investimentos. Você acredita que veremos uma mudança nos próximos anos e um avanço desta ciência no Brasil?

Na verdade, o significante “neuroeconomia” remete a uma campo de estudo em que o humano é reduzido a dimensões mais simples de impulso e resposta, ou, pelo menos, a uma simplificação comportamental, caso a referência ou comparação de abordagem seja, por exemplo, questões mais complexas como a subjetividade humana tal como pensada pela psicanálise. A minha praia é a psicanálise, não a neurociência. Enquanto psicanalista, presumo que eu tenha uma posição privilegiada para pensar o econômico e o mercado, nomeadamente o sujeito que opera nele, e a massa que ele vai constituir com uma infinidade de players. Esta massa –ou grupo – também tem um interesse particular para a psicanálise: Freud a estudou profundamente, e W.R. Bion trouxe revelações extremamente interessantes: ambos fizeram contribuições fundamentais para a compreensão da psicologia do mercado, sem saber no seu tempo que faziam isto.

2) No seu artigo publicado no jornal Valor, "Tão volátil quanto o mercado é a lucidez humana", você menciona que "a tal massa chamada de "mercado" pode descer na escala evolutiva do pensamento quando parece dotada de matriz peculiar, capturando dados e índices diariamente da economia mundial e reordenando-os a partir de mitos, temores, desejos ou preconceitos". Como o mercado, composto de seres humanos, pode em algum momento tomar consciência de que muitas vezes esta sendo levado pelo famoso efeito manada (completamente irracional e totalmente emocional)?

Quem toma consciência é o indivíduo. O mercado não tem consciência, no sentido que damos à razão e à lucidez. Funciona como se tivesse uma mentalidade grupal primitiva que reúne o somatório das crenças, angustias, expectativas, receios, medos, esperanças e reações humanas diante de índices e acontecimentos. Não raro age como uma criança diante do escuro, de um estranho ou de um estrondo: sai correndo desesperado. Mais adiante pode vir a compreender que não é assim tão assustador. Outras vezes sintetiza o equilíbrio dos cálculos e previsões bem feitas. Ainda em outras ocasiões festeja ao som da euforia. O mercado é um mar sujeito à calmaria e bom senso tanto quanto ao vento da loucura, quando invade cidades e arrasa patrimônios. Você nunca deve brincar com o mercado: deve teme-lo e respeita-lo. Jamais brigar contra ele, mesmo que você possa ter toda a razão do mundo, e ele estar completamente errado. Charles MacKay, um poeta, jornalista (foi do The Times) e escritor inglês, se não me engano quem primeiro escreveu sobre as bolhas econômicas em seu livro “Extraordinary Popular Delusions and the Madness of Crowds”, disse uma frase memorável: “Os homens enlouquecem em massa, mas recuperam os sentidos aos poucos, um a um”.

3) Por que, na sua opinião, as pessoas têm uma forte tendência a desestimar ou até ignorar as emoções nos momentos de tomada de decisão?

Isto vem da tradição do pensamento ocidental, desde Platão, Aristóteles, culminando em Descartes, até chegar aos impagáveis economistas do século XX, que, munidos de modelos econométricos, se iludiram de que sua ciência era cientificamente exata e que os mercados eram eficientes, subtraindo o humano e os sentimentos das decisões econômicas. Tanto quanto a psicologia havia recalcado a idéia do inconsciente, até o advento da psicanálise freudiana. Então, isto faz parte da nossa constituição psíquica, pelo menos no Ocidente, a de enterrar o que é torto, gauche – tudo que não é controlado pela racionalidade superficial. Só que esta racionalidade é estreita demais para abarcar o amplo espectro de nossa subjetividade, do desejo humani infinito, a onipotência arrogante. Você viu no que deu?

4) A atual retração (crash) do mercado se deve em grande parte ao problema dos créditos de segunda linha do mercado americano (Subprime) que gerou uma retração forte na disponibilidade de crédito. Embora seja perceptível que o impacto na economia real esta acontecendo, ainda é incerto como esta crise irá impactar no lucro das empresas (Quando? Quanto?). Sabemos que o efeito de vendas massivas não é a primeira vez que acontece na historia... Porque não conseguimos evoluir deste estágio emocional?

Alan Greenspan disse que isto vai se repetir de geração em geração, sem que haja aprendizado, os ciclos de pânico e euforia. Com a velocidade dos acontecimentos da atualidade, nem precisamos mais esperar pela sucessão de gerações: há crises em quase todas as décadas. Mesmo assim as pessoas não aprendem, na hora do sufoco, saem correndo; na hora da euforia, compram vorazmente. Quem ganha são os profissionais, que agem com serenidade e aproveitando as oportunidades. Não viu a frase recente do Warren Buffet, de que quando a massa está voraz, ele fica prudente; quando a massa fica prudente, ele fica voraz? Mas isso não é assim tão mecânico, às vezes você tem que respeitar a massa e ir com ela.

5) Colocando o "mercado" no divã. Se você tivesse que fazer um diagnostico sobre o comportamento dos investidores no mercado Brasileiro, qual seria?


Não, quer dizer, já é complexo demais analisar uma pessoa no divã, imagine o mercado brasileiro...Acho que em relação ao mercado brasileiro quem foi mais insano foi o investidor estrangeiro, aliás, escrevi isto num artigo também para o “Valor”, intitulado “Investidor estrangeiro é um risco para o pregão”. Ali eu mostrei que eles sabem tanto de nossas empresas quanto dançar samba. Saíram vendendo em massa, sem saber se as empresas iriam ser realmente afetadas pela crise, se eram exportadoras, e eu não acredito nessa lorota de que precisavam fazer caixa. Não era só isso não: saíram em pânico, porque pensaram que podíamos quebrar, enquanto quem estava quebrando eram eles. E queriam vender com lucro e voltar quando o mercado se acalmar e tiver com preços deteriorados. Você verá em breve. Que eles por enquanto fiquem aplicando a 1,5% ao ano nos títulos do Tesouro americano: daqui a pouco tempo vão ficar com aquela expressão de otários e voltarão a olhar para algumas de nossas empresas, que, só de dividend-yeld, podem dar até 13% (como é caso de certas elétricas ou telefônicas). Não tem risco-Brasil? Sabe, acho que temos que criar um risco-Tio Sam. Veja o caso da Usiminas, que mal exporta seu aço, e está com sua produção toda vendida para este ano no mercado interno: o preço da ação despencou de mais de 90 para menos de 30! Claro que com ajuda dos que alugaram suas ações promovendo um ataque especulativo.
E a Petrobrás, que não guarda correlação estreita com o preço internacional do petróleo: parece até que eles operam automatizados no computador, petróleo cai, Petrobrás cai. Uma bobagem. Mas o problema do mercado brasileiro é a sua ainda doença infantil de dependência, tanto do investidor estrangeiro quanto das empresas de commodities. E o mais engraçado é que quando a Bolsa cai movida por esses dois fatores, todas as empresas, mesmo as que não têm nada a ver com o pato, caem juntas e na mesma proporção. Parece até aqueles pássaros que voam juntos.

6) Se você tivesse que dar 3 conselhos aos investidores, de forma de ajuda-os a avaliar suas emoções antes de tomar uma decisão, quais seriam?

Não agir por impulso, pensando nas conseqüências de suas decisões e avaliando todas as probabilidades, inclusive as mais impensáveis (como as que aconteceram recentemente). Não transformar seus investimentos em tortura emocional, colocando apenas uma parte liquida de que não precisará usar no curto prazo, prevendo que possa se desvalorizar por um tempo e mantendo a capacidade de comprar ações caso elas fiquem com preço bastante atraente. E jamais ceder ao destemor e à arrogância de operar alavancado, fazendo operações a termo ou vendas a descoberto – exceto se for profissional ou se quiser separar dinheiro para apostar prevendo que possa perder. Nunca esquecer que o maior risco somos nós mesmos, e que impulsos autodestrutivos podem operar sem que tenhamos chance de percebe-los a tempo. Além do mais, cuidado: Bolsa vicia!

7) De forma geral, podemos conhecer como o Dr. aloca seus investimentos. Quanto porcento em Renda Fixa, quanto em Ações ou Fundos?

Não abro mão de alocar parte substancial em imóveis – um hedge que não se mexe, apesar das tentações... Gosto de operar minhas próprias ações, seja a longo prazo, daytrade ou swing, e venda coberta de opções. Mantenho uma parte razoável em renda fixa, porém, isto varia de acordo com o momento. Atualmente, os preços das ações ficaram convidativos, e a porcentagem em Bolsa aumentou. Quanto menor está o índice Bovespa, menores são as chances de perda. Porém, há uma lição básica que não se deve esquecer: o fundo sempre pode ficar cada vez mais baixo...

Obrigado Dr. Sternick!

Boa Semana, Bons Negócios.
(Nota: Nesta semana teremos decisão "psicológica" do COPOM.)


domingo, outubro 12, 2008

Black Monday, Black Tuesday, Black Wednesdays, Black Thursday, Black Friday... Crash 2008.


Dinheiro pode comprar muitas coisas, menos confiança.
... Prova disto são os pacotes trilionarios disponibilizados nas últimas semanas pelos governos do G7... (U$700 bilhões os Estados Unidos; U$437 os Britânicos).

Alguém já entendeu o porque do castigo ao Lehman Brothers?
Paulson deixou quebrar este banco no mês de Setembro. Fato, que tem grande consenso, foi o inicio da grande onda de vendas e desconfiança generalizada que colocou todo mundo na atual situação caótica.
Quando Paulson (Ministro de Economia Americano) deixou ir à falência ao Lehman muitos jornais o criticaram e publicaram que ele estava jogando roleta-russa.
Agora fica evidente o resultado da brincadeira, com o registro de mais um Crash na historia dos mercados mundiais.

Resta agora aguardar na próxima semana que a ação conjunta, anunciada neste final de semana pelo Governo Americano e os Governos da Europa, consiga restabelecer a ordem. Embora a sensação continue sendo de falta de comando e grande desconfiança.

A má noticia, se é que ainda resta alguma, é que as coisas podem ficar piores.
Guarde estes números em algum lugar: Depois da crise de Outubro 1929 o PIB Americano caiu 50% e o Índice de Desemprego pulou para um valor superior aos 20%. Essa foi a época da Grande Depressão e durou 13 anos (1929-1942).
Não teve ação coordenada dos BC’s do mundo. Alias, o FED daquela época aumentou a taxa de juros e produz uma contração ainda mais violenta do crédito. Enfim, essa é outra historia.

Atualmente assistimos à tentativa dos BC’s do mundo de querer evitar um processo similar ao de 1929. Torço para que eles consigam...

Estamos numa fase na qual o investidor desconfia das empresas que cotizam na bolsa, bancos desconfiam de bancos, empresas desconfiam de bancos e de empresas, pessoas desconfiam de bancos e bancos desconfiam de pessoas...
Todos tentam proteger o dinheiro que restou.

Que estou fazendo na Plantação?
É difícil delinear um plano de ação baseado nos atuais fundamentos, porque os atuais fundamentos são irracionais.
Investir durante este período é algo que parece tão irracional quanto as quedas das últimas semanas.

Investir forte pode ser suicida?
Minha opinião é a seguinte:
  • Primeiro, acredito que o mercado vai se recuperar, obviamente isto irá acontecer num horizonte aproximado de 12 meses.
  • Segundo, dependendo do tamanho dos investimentos efetuados durante esta fase “delicada”, na medida que o mercado volte a seus valores pré-crash a Plantação pode-se tornar mais forte.
  • Terceiro, tinha colocado metas em quantidade de ações para as empresas do portfólio. Evidentemente estou revisando estas metas. (Por exemplo, se tinha pensado colocar na Plantação um máximo de 100 ações de Ideiasnet quando sua cotação estava na faixa de R$6-R$9. Hoje que esta cotando R$2, porque não posso pensar em reavaliar esta meta a elevando para um máximo de 400 ações? isto significa "ficar mais forte").
  • Quarto, empresas como ALL e Perdigão devem beneficiar-se neste novo cenário de Real desvalorizado.
  • Quinto, ComGas tem resistido muito bem nesta crise.
Para medir o pulso da crise nos próximos meses, será importante acompanhar de perto os indicadores da economia real. Nível de Consumo, Inflação, Taxa de Juros, Balança Comercial do Governo, Desemprego, Nível de Inadimplência, e os resultados dos próximos balanços das empresas.

Sugiro que você seja muito prudente durante esta fase. Imagino que você pode estar preocupado com as recentes quedas, eu também estou (todo mundo esta).
Só você sabe quanto precisou trabalhar para guardar o dinheiro que você tem investido. Desta forma, pense bem e conte até 50 antes de fazer qualquer coisa.

... O que os jornais não disseram (ainda) é que Paulson quebrou as regras do diabólico e fatídico jogo. Quando todos acreditaram que ele estava puxando o gatilho apontado a arma para ele, descobrimos que ele estava apontando a arma para nós.

Boa Semana, Bons Negócios.

domingo, outubro 05, 2008

Quatro Meses Depois...


Como questão de fato (diz
Jason Zweig), conforme olhamos para as diferentes variáveis econômicas, como por exemplo: juros, inflação, crescimento econômico, preço do petróleo e commodities, desemprego, déficit/superávit das contas do governo, dólar e outras moedas; podemos ter certeza de três coisas:
Primeiro, alguém sempre paga um caminhão de dinheiro para fazer algum tipo de predição sobre estas variáveis.
Segundo, ele não vai contar para nos, e não podemos sequer saber qual é a precisão de suas previsões ao longo do tempo.
Terceiro, se vamos investir com base em previsões desse tipo, susceptíveis de erro, seria algo similar a pagar um trocado para uma cigana, ou análogo, e seguir suas orientações como guia.

A grande frustração com as previsões econômicas é que parece bem claro que a analise deveria funcionar. Concorda?
Normalmente entendemos que quanto mais pratiquemos tênis, futebol ou esporte que você quiser, melhor deveríamos jogar. Porque deveria ser diferente com os investimentos?

É neste ponto e, no atual contexto do cenário econômico mundial, que resulta interessante nos projetar quatro meses para frente (5 de Fevereiro de 2009).

Nessa data podemos dizer com algum grau de certeza, que:
  1. O novo Presidente dos Estados Unidos (seja Barack Obama ou John MaCain) já terá assumido seu mandato de quatro anos. Vai assumir num momento crucial. Por um lado, terá que afrontar a maior crise financeira e econômica das ultimas décadas. Por outro, contará com o maior pacote de ajuda financeira já aprovado pelo Congresso Americano.
  2. Como o pacote foi aprovado nesta semana (3/10/08), terão transcorrido quatro meses nos quais as medidas propostas por Paulson-Bernanke serão testadas e aprimoradas.
  3. O COPOM terá realizado mais 3 reuniões. Qual será o nível da taxa SELIC? 14,25%? 14,75? 15,25? 13,75%?...
  4. Se o BC do Brasil continua aumentando os juros, seguramente isto vai refletir no consumo (bens de consumo), e na industria da construção. Por outro lado, o fato de que o crédito internacional para as empresas seja escasso vai inferir ainda mais na indisponibilidade de crédito para as pesoas físicas.
  5. É possível que a Bovespa não esteja mais no atual nível de 45.000 pontos? Se o plano de Paulson-Bernanke estiver dando certo, teremos uma melhora no valor do índice. Qual?
  6. O PIB Americano relacionado ao último trimestre de 2008 terá sido divulgado (O Brasileiro também). Se for negativo abrira a real possibilidade de que os americanos entrem em recessão. Caso contrario, restará saber qual o grau de desaceleração da economia e, logicamente, seu impacto no resto das economias do planeta. Uma desaceleração forte vai impactar no preço do petróleo e de commodities afetando ao Brasil. A recessão Americana vai impactar ainda mais forte às empresas exportadoras e produtoras de commodities (ex: Vale e Petrobras).
  7. ...De uma coisa podemos ter certeza. Faltarão 19 dias para o Carnaval 2009 (que será 24/2/09).
Penso que é importante, durante esta fase, não perder o foco. Isto é, se seu horizonte de investimentos continua sendo de 5 ou 10 anos, estamos diante de uma excelente oportunidade. Não deveríamos ficar nos lamentando porque não vendemos nossas ações no pico da euforia (erro 1).
Na mesma linha, não podemos nos dar o luxo de nos lamentar no futuro por não ter aproveitado devidamente estes momentos (erro 2).

Se tem empresas que estão anunciando recompra de ações (aproveitando o nível de preços de suas ações) como é o caso de Ideiasnet e ALL, não seria lucrativo trilhar o mesmo caminho?

“O Guia de Autodefesa do Investidor das Galáxias sugere, no caso que uma chuva de meteoritos atingir o mercado de valores o guarda-chuva não será suficiente defesa. Quebre seu porquinho, pegue as moedas e compre os destroços... O mercado sempre ressurge”.

Boa Semana, Bons Negócios.

domingo, setembro 21, 2008

Fogo de Chão (na Bovespa).

(cartoon: cartoonstock.com)

E chegou o dia de um espetacular crash na bolsa (em câmera lenta), que é como talvez seja referenciado este período no futuro. Porque em teoria isto é o que significa um crash do mercado, uma queda abrupta maior ou igual a 20%.
Desde seu máximo de 73.517 (20/05/2008) a Bovespa deslizou –37,55%. Tem quem compare o estrago com a Grande Depressão de 1929, mas na verdade ainda estamos longe de alcançar seus níveis de intensidade. Só para iniciar a comparação, naquela época o Dow Jones ardeu durante onze meses um total de –87,52%, sem falar que os estragos gerados na economia real demoraram duas décadas para se recuperar (aumento considerável do desemprego, fábricas e industrias fechando por todos os lados, bancos quebrados em cada esquina... etc).

Hiper breve resumo ao limite da bancarrota:
Ajudaram ao Bear Stearns; Ajudaram a Freddie Mac e Fannie Mae. Deixaram quebrar ao Lehman Brother (ainda ninguém entendeu bem porque?). Resgataram ao AIG... quem será o próximo?

Outro grande fator diferencial é que o FED de 1930 não tomou nenhuma ação para tentar diluir ou contra-restar a crise, 80 anos depois a historia esta sendo escrita de forma diferente. Claro, torcemos para que o final também seja diferente. Os amigos de Washington abriram a carteira no salão oval e fizeram uma vaquinha de mil milhões de milhões (u$700 bilhões)... (e ainda gritaram truco!).


... Como efeito imediato: Disparou a euforia.

Você lembra quando abordei os estágios de uma crise financeira na postagem: O Estagio Crítico (23/03/2008)? Se estiver certo, devemos entrar agora num período de quietude (de duração indeterminada).

O que tem acontecido na Bovespa, nos últimos meses, é um processo constante e gigantesco de busca por liquidez que tem forçado os investidores (principalmente estrangeiros) a praticamente “liquidar” seus ativos (ações). No inicio da semana (15/09) o assunto recrudesceu rapidamente, a Bovespa teve uma queda histórica, o Ouro teve uma subida histórica, e o Dolar aumentou 18% forçando o BC a voltar a emprestar títulos nesta moeda para evitar que a desvalorização continuasse.

18/9 Comprei ações de IDNT3 a R$3,60. Como já tinha antecipado por aqui, no meu ponto de vista é momento de aproveitar (prudentemente) os grandes descontos que a crise esta oferecendo.
As compras não pararam por aí. O problema é dispor de caixa para poder fazer estas compras, o time não sempre é o que gostaríamos.

Quero destacar a importância de tirar proveito (o maior possível) dos momentos atuais. Ricos em experiências, atitudes, reflexões, temores, preocupações e ansiedade.

Você tem dinheiro no mercado? Então, meu caro colega, você esta de alguma forma pagando para aprender uma das mais importantes lesões de investidor que é a de conhecer-se assim mesmo. Se for caro ou não depende, mais uma vez, pura e exclusivamente de você.

Lembra daqueles testes, extremamente difundidos, para descobrir qual é seu perfil de investidor? Pois saiba, que não tem melhor teste para conhecer seu perfil que o atual!

É surpreendente como as pessoas podem ser corajosas nesses testes... Mas, diante da cruel realidade se comportam de forma oposta às respostas que deram.

Desta forma, é recomendável que, antes de você tomar suas decisões de investimentos, lembre qual foi na realidade seu comportamento diante de períodos turbulentos como os atuais. Acredito fortemente que esta simples dica vai fazer que você ganhe/poupe seu dinheiro.

Ainda estamos em turbulência... assim seja prudente.
... Não esqueça de desfrutar um bom churrasco com amigos.

“Ter foco no negócio resulta mais lucrativo que ter foco no preço da ação. (W. Buffett)”.


Boa Semana, Bons Negócios.


quarta-feira, agosto 20, 2008

Para onde vai o dinheiro?

O dinheiro é um tipo ativo, se não é o único, que mais rápido muda de mãos. Dificilmente ele desaparece, embora teorias conspiratórias de famosos políticos, entre outros, demonstram eficientes técnicas de disfarce.

Na medida que o dinheiro flui ele produz alterações nos valores de outros ativos (bolsa, metais, commodities, imóveis... pessoas). Obviamente as alterações podem ser positivas (aumentando o valor) ou negativas (diminuindo o valor).

Na seqüência de gráficos percebe-se a forte pressão vendedora dos últimos meses:
Normalmente o ouro costuma ser um investimento utilizado como proteção em tempos de crises profundas. No gráfico se observa claramente o movimento ascendente durante o recrudescer da crise. Mas desde Fevereiro os investidores começaram a vender suas posições depois do pico...


Muito tem se falado sobre o preço do petróleo. Justificativas de movimentos especulativos, estagnação da produção e crescimento forte da demanda tem fundamentado o forte crescimento no preço por barril. Porem, a partir de Julho 2008, seu preço começou a despencar e nao da sinais de se manter nos atuais patameres...

A queda nas commoditeis também se iniciou a mediados de Julho.



O dinheiro saiu do Ouro, do Petróleo, das Commodities e da Bovespa... Para onde ele foi então?
É um fato que muito dinheiro esta migrando para Renda Fixa (no caso do Brasil) e para os Bonos do Tesouro Americano...

Os preços na bolsa estão extremamente atrativos com descontos significativos. O problema é que a crise, que já é longa, pode demorar ainda alguns meses em reverter. Ante este cenário, muitos optam por sair do mercado e investir em lugares mais seguros (como renda fixa).

... Como sempre que choveu parou, pode resultar interessante estar entre os primeiros em chegar na festa... Isto implica ter paciência, muita paciência.

Boa Semana, Bons Negócios.


domingo, março 23, 2008

O estágio crítico.

“Sguendo um etduso da Uvnidridase de Cmarbridge, não iprotma a odrem na que as ltreas etsão eriscats, a úicna csioa que iprotma é que a pmeriira e a útimla ltrea ejastem eriscats na pisçoão crotrea. O rseto pedom etsar tatonelmete mal e msemo aissm pedroá ser lido sem prebloams. Itso é prouqe não lmoes cdaa ltrea por se msema, mas sim a plaavra cmoo um tdoo.”

Cssurioo? E funciona independentemente da língua...

O estágio atual nos mercados pode parecer, em sua primeira leitura, tão confuso como a frase acima. Porem, não foge do padrão de instabilidade e volatilidade de crises anteriores.
Para os historiadores cada evento é único. Para os economistas, existe um padrão em eventos particulares, dos quais pode-se esperar e induzir respostas similares.
Lord Overstone, identificou cinco estágios de euforia antes de que aconteça uma crise financeira:


  1. Quietude,
  2. Melhoria,
  3. Confiança,
  4. Prosperidade,
  5. Emoção,
  6. Crash (Crise Financeira ou Convulsão),
  7. Estagnação,
  8. Final e... Volta à Quietude.
Você pode tentar identificar (no gráfico da Bovespa acima) os estágios pelos quais fomos atravessando e concluir em qual estágio nos encontramos atualmente.

Pode fazer o intento sem temor de cometer algum erro. A interpretação dos fatos vai depender do analise de cada investidor... Ou de cada político... Até mesmo de cada economista, ainda mais se pertencem a diferentes escolas.

Nota: A velocidade com que acontece uma crise é variável, desde seu inicio até sua finalização.

Definitivamente não estamos ante uma crise similar a Grande Depressão de 1929 (não por enquanto). Mesmo hoje, quase 80 anos depois, ainda existem diferentes teorias sobre o que causou a Grande Depressão. As duas principais são: 1. O Crash da Bolsa Americana; 2. Uma serie de erros sucessivos do FED daquela época que estrangulou a disponibilidade do crédito justo quando deveria ter feito o contrario.


Com tudo isto na sua mente, seria interessante começar olhar para frente. O mais longe que você puder... Tentar ganhar dinheiro no curto ou curtíssimo prazo pode ser uma opção, caso seja seu estilo.

Refletir e avaliar cuidadosamente onde e como investir o dinheiro que poupamos trabalhosamente tem que ser sempre a atitude do investidor.

  1. Quais são nossas opções?
  2. Será que dentro de sete meses o cenário não pode ser diferente? Talvez a ação conjunta do FED e do pacote de estimulo ao consumo nos Estados Unidos podem dar certo... No mínimo existe essa probabilidade.
  3. Quais são as opções dos investidores externos?
  4. Qual vai ser a duração desta crise?
Eu não sugiro para ninguém entrar agora no mercado (seja curto ou longo prazo) sem que este alguém esteja preparado para ver seu capital flutuar com intensidade.
Mas, se você esta construindo uma plantação (como eu estou), então você pode acumular ações de empresas (que você acredita tenham futuro) mesmo sabendo que durante o processo pode ser que as compras recentes não sejam lucrativas.

Esta semana temos apresentação do balanço de Ideiasnet (28/3). E temos apresentação do PIB Americano na quinta-feira...

Boa Semana, Bons Negócios!

domingo, março 16, 2008

A Recessão segundo Fortunato.

“Tem muita gente que diz que as coisas estão dando certo no Brasil porque o Lula tem sorte. Obviamente, eu prefiro ser Lula com sorte do que Lula sem sorte, porque não há na vida nada que acontece se a gente não tem um pouco de sorte.” - (Presidente Luis Ignácio “Lula” da Silva, fragmentos do discurso publicado no Jornal O Estado de São Paulo, Sábado 15 de Março, ver aqui).

O Ministro da Fazenda Guido Mantega anunciou na quinta-feira um pacote de medidas para tentar conter a constante desvalorização do Real frente ao Dólar. (Escutar o pacote anunciado por Mantega).

Na sexta-feira o Banco Central (Meirelles) divulgou a ata da reunião do COPOM onde claramente o COPOM observa pressões inflacionarias e adverte que pode agir em conseqüência, tentando conter estas pressões (ver ata do copom, item 17). Estas medidas não neutralizam de algum forma o pacote anunciado por Mantega?

Ainda na sexta-feira o Presidente Lula, em discurso diz que a economia esta robusta e resistente, que as medidas adotadas pelo governo para conter o Dolar vão beneficiar as exportações do Brasil e que as ações do Banco Central continuaram em linha resguardando aos Brasileiros da ameaça da inflação...

O Presidente Lula falou também que as pessoas tentam atribuir ao acaso a boa situação da economia e não ao seu trabalho.

Em nota publicada no Sábado 15 de Marco, o Ministro de Desenvolvimento, Miguel Jorge, diz que houve exagero do BC na última ata divulgada. Segundo declarações do Ministro, ele acha que do ponto de vista do ministério, não corremos risco de inflação de demanda; A industria é capaz de atendê-la, portanto, não há riscos, em todas as analises feitas por nós. (Declarações do Ministro, aqui).

Imagino que os funcionários do Governo já devem ter feito a seguinte conta em relação ao preço do barril de Petróleo, inocentemente simples:

Fica claro que, embora o preço do petróleo tenha pulado 54% em Dólares, em Reais o pulo foi de 22%.
Os principais (5) parceiros econômicos do Brasil são (em ordem de peso): Estados Unidos u$25,3 bilhões, Argentina u$14,4 bilhões, China u$10,7 bilhões, Alemanha u$7,2 bilhões e Japão u$4,3 bilhões. (Fonte: Banco Central do Brasil e Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior “base 2007”).

A primeira pergunta é: Quanto a desaceleração da economia Americana irá afetar à economia da China e às economias do resto dos paises que compram a maioria dos produtos que o Brasil exporta?

A segunda pergunta é: Quanto tempo vai demorar a economia Americana em voltar a crescer em seus trilhos normais?

Se a China desacelera sua demanda por commodities, isso vai trazer um grande impacto para a economia Brasileira cujos 2/3 das exportações são de produtos agrícolas.
É evidente que, embora o Brasil tenha um grande estoque de aspirinas, se a crise perdurar por muito tempo não haverá aspirina que agüente.

Obviamente, nos resta (entre outras coisas) torcer por Fortunato.

Em paralelo, continuando fiel à estratégia de compra, aumentei novamente o peso de Ideiasnet. Preço de compra das ações r$5,67.

Boa Semana, Bons Negócios.

domingo, janeiro 27, 2008

Bovespa Fashion Week (em recessão?).



Toda grande industria deve sempre ter seu exuberante evento promocional. Acontece com a industria automobilista, da aviação, da moda, da informática e porque não deveria acontecer com a industria financeira.

Sendo assim, acredito que chegou o momento de começar a falar da Bovespa Fashion Week (Primeira Edição). Um evento organizado por miles de estilistas anônimos das mais variadas tendências, que apostam através de seus lances, oferecendo cada vez mais generosos e coloridos descontos.

O evento não conta com a tradicional passarela pela que desfilam famosas modelos com provocadores e intencionais decotes, saias curtas e roupas translúcidas. Mas, pelo seu ticker vermelho o espectador poderá ficar fascinado e porque não, quase enfartado, ao assistir como celebres e reconhecidas empresas deixam cair seus preços...

É lógico que as ramificações da crise financeira nos Estados Unidos se estão propagando para oresto dos mercados do mundo, sem preconceitos de se são ou não desenvolvidos.
Quando a crise é de proporções consideráveis, como a atual, o contágio no resto das economias do planeta é inevitável.

Como investidores hoje nos deparamos com uma grande questão: Chegou o momento certo para voltar a investir?

O investidor irá obter basicamente duas respostas, dependendo de quem for o entrevistado: É o momento certo; Ou. Não é o momento certo, ainda.

Os preços atuais descontam que Estados Unidos sofreram algum tipo de desaceleração econômica. Hoje é indistinto classificar a desaceleração como se fosse, ou não, uma recessão. O mercado já sentenciou, embora possa, ou não, estar certo.

No suplemento Aliás, do jornal o Estado de São Paulo, saiu hoje um interessante artigo baixo o título: Cinco mitos sobre a recessão. (Kevin A. Hassett). (Nota: Infelizmente para ler o artigo em português você tem que ser assinante do Estadão. Mas, achei a mesma versão em inglês publicada no site do washingtonpost.com; de graça).

Outra leitura que pode contribuir para orientar a estratégia do investidor, nesta época de grandes oscilações e incertezas, é a publicada no Jornal Valor Econômico em seu suplemento de Finanças (25/1/08). Falando sobre a estratégia do Grupo de investimentos Blackstone. Na entrevista, Stephen Schwarzman (CEO do Grupo), sugere que a Blackstone esta pronta para investir no Brasil U$675 milhões.

O fundo vai investir em cinco setores básicos da economia: Saúde, Educação, Infra-estrutura, Construção Civil e Consumo Alimentício.

A situação exige muita cautela.
Porém, os atuais níveis de desconto que muitas empresas oferecem na bolsa são bem interessantes.
Como esta detalhado no quadro (Bovespa Fashion Week), todas as empresas da Plantação apresentam níveis de desconto além do interessante.

Bom, meu dilema é o mesmo de muitos... Não tomei ainda nenhuma decisão.
Vou continuar de olho... bastante atento... para investir...

Boa Semana, Bons Negócios.

Reflexão: Se vai ser um ano ruim, que seja com estilo.

domingo, setembro 09, 2007

Warren Vargas

Historias como a de Warren Vargas, desconhecidas e comuns, sublimes e desgraçadas, aceitavelmente desesperadoras, às vezes trágicas, às vezes sinistras, sem um pingo de fortuna, mas com todo o azar nas costas, desumanas, mas não ou suficiente como para serem consideradas animais ou extraterrestres... Podem geralmente confundir-se com a historia de qualquer outro Warren Vargas.

Warren Vargas, cara leitora ou leitor, encaixa-se nesse tipo de historia na qual, você, dificilmente achará algum tipo de referencia no Google ou na Wikipedia. Talvez em algum blog, quem sabe...

Ele poderia ter sido presidente do Brasil, se tivesse chamado-se Getúlio; Ou pudesse também, ter sido o homem mais rico do mundo se seu pai levasse o sobrenome de Buffett. Porem, não poderia nunca ter sido o homem mais rico do mundo ao mesmo tempo que presidente do Brasil. Ou poderia?

Tudo bem. De qualquer forma, parte de sua historia plasmada nesta postagem de hoje, só vem a tona porque Warren Vargas foi, entre muitas outras coisas, um investidor como você ou como eu.

Sua historia envolve luta, persistência, tenacidade, coragem, entusiasmo, e qualquer outro adjetivo qualificativo que, no final das contas, tenha algum tipo de relação com fracasso. Ou beire suficientemente perto do fracasso como para que nem Hollywood se interesse em resumir sua existência num filme de 90 minutos.

Como investidor ele ganhou tanto dinheiro, quanto perdeu. Nem um centavo a mais, nem um centavo a menos.
Seu mérito talvez resida na incansável quantidade de vezes nas quais ficou rico para depois ficar pobre.

Como latino americano, em 1994 tinha investido grande parte de sua fortuna na bolsa do México e em 1995 sua fortuna foi dividida por 2, depois do Tequila.

Com o resto, partiu então para a região dos tigres asiáticos. E em 1997 e 1998 ele sofreou novamente com a crise e o default. Tinha dinheiro investido nas bolsas da Malásia, Indonésia, Tailândia, Coréia e Rússia. Quando estava quase nas vésperas de perder todo seu capital, decidiu corajosamente zerar suas posições nesses paises e trazer o que restava para o Brasil.
Infelizmente, a desvalorização do Real o pegou fazendo as contas dos benefícios das privatizações. E 1999 foi outro ano para esquecer.

Com algum trocado decidiu investir algumas fichas nas então hiper-atrativas empresas de alta tecnologia dos Estados Unidos. O resto dos trocados foram investidos em títulos em dólares do governo Argentino.
E como esta historia é mais recente no ano 2000 e 2001 Warren Vargas voltou ao inicio de sua aventura investidora.

Alguns amigos dizem que ele voltou. Esta fazendo negócios milionários no milionário mercado imobiliário americano.

Por favor, se você conhece a Warren Vargas, sabe onde ele mora, ou tem seu email, celular, telefone fixo, caixa postal, endereço no Orkut, message...
Agradeceria profundamente que me encaminha-se um email neste blog: http://stock-buster.blogspot.com/.

Antes, apague todo e qualquer resquício dele no seu computador. Pode ser que não tenhamos demasiado tempo...

Divirta-se.
Boa semana, Bons Negócios.

domingo, agosto 26, 2007

9 semanas e ½.

Segundo Charles P. Kindeleberger a grande maioria das bolhas especulativas no mercado acionário estão relacionadas com bolhas no mercado imobiliário. Mr. Charles define três tipos diferentes de conexões entre estes dois ativos do mercado (As ações e os imóveis):

  1. A primeira é que em muitos países, especialmente os países pequenos ou em processo de industrialização, uma porção significativa da valoração do mercado de ações esta associada a empresas que trabalham com imóveis, empresas do ramo da construção e outras indústrias muito relacionadas com “real state”, incluindo os bancos.

  2. A segunda é que investidores que se enriqueceram rapidamente com o incremento do valor dos imóveis nos quais investiram, começam a diversificar sadiamente seus investimentos e então compram ações.

  3. A terceira conexão é um espelho da segunda. Investidores que se enriqueceram por causa da valorização do mercado acionário começam a comprar casas, apartamentos, e terrenos procurando diversificar e manter seu patrimônio.
O problema de repetir os erros do passado, usualmente acontece, simplesmente porque já esquecemos daqueles erros.
Esquecemos de por que ou, por quais motivos algum fato determinado aconteceu. Esquecemos quais foram seus efeitos e por quanto tempo se mantiveram.
Pode ser interessante rever o passado para conseguir encasular no lugar certo e da forma correta a atual crise nos mercados financeiros globais.

Esta é a teoria de C.P. Kindeleberger detalhada em seu livro “Manias, Panics, and Crashes.
Apoiado nas idéias de Charles segue a continuação um simples quadro que preparei com o histórico de algumas crises que aconteceram no mercado Brasileiro desde 2004.
(ver gráfico do índice bovespa: 2004-2007).


(clique no quadro para aumentar)

5-jan-2004: Inicio do governo Lula. Investidores retiram dinheiro da bolsa por temor a política economia que o governo de Lula possa adotar;

7-mar-2005: Pressões inflacionarias no mercado americano, temor de suba de taxa em aquele país; Barril de petróleo a 56u$; Taxa Selic 19,25%; Crise do Mensalão; Saída de investidores estrangeiros;

9-mai-2006: Pressões inflacionarias e temor por forte suba da taxa americana; Saída de investidores estrangeiros;

26-fev-2007: Investigação do governo chinês na Bolsa de Xangai. Preocupação com a economia Chinesa; Temor por controle de capitais na China; Temor por desaceleração da economia Chinesa;

23-jul-2007: Quebra no mercado de hipotecas de alto risco americano (Subprime); Queda de fundos como Bearns e BNP Paribas; Venda massiva de investidores estrangeiros nas bolsas do mundo para cobrir posições.

A crise atual aconteceu de forma relativamente rápida. Como usualmente acontecem as crises nestes últimos anos. A velocidade esta relacionada com a agilidade que atualmente existe para executar ordens de compra ou venda em praticamente qualquer mercado de ações do mundo.


Estou no grupo de aqueles que pensam que esta crise ira terminar em algum momento (ainda este ano). Em conseqüência disto, minha estratégia continua sendo a de aumentar o peso das empresas que compõem o portfolio... Estou avaliando também concentrar a maior parte do peso do portfolio em duas ou três empresas...

Na mira: Ideiasnet (IDNT3) e ALL (ALLL11).

Boa Semana, Bons Negócios!

domingo, agosto 12, 2007

Quem mexeu na minha cerveja?

A mais longa e avassaladora festa já realizada no mercado de valores esta agora em seu quinto ano consecutivo e, ainda assim, ninguém quer que acabe. Certa vez um grupo de investidores de um fundo de hedge olhou para o relógio, mas isso foi em 1998, e os investidores do Long Term Capital Management foram socorridos pelo então presidente do FED, senhor Alan Greenspan.
A festança é extraordinária, você só acreditaria vendo, mas se você não tem nenhuma necessidade especifica de acreditar, então é melhor não ir.

Recentemente houve alguns movimentos desesperados e assustadores para acabar com a folia, mas então o novo presidente do FED, o senhor Ben Bernanke falou na festa e todo mundo pareceu entender. Mas, na manha seguinte quando comentaram os fatos, o mal-entendido generalizado derrubou até os copos de cerveja que já estavam no chão.

O problema esta focalizado nas tais hipotecas de alto risco, que como seu nome já o indica são “hipotecas de alto risco”. Algo assim como: me empresta seu dinheiro e que Deus o pague.

Desta forma os bancos emprestaram dinheiro, nos últimos anos, a pessoas com capacidade financeira no mínimo duvidosa. As pessoas com capacidade financeira no mínimo duvidosa compraram suas casas, no mínimo a preços elevados, e deram origem a uma bolha imobiliária que como já sabemos são muitas vezes a origem de muitas crises financeiras.

Os bancos, que nada tem de tontos, cobraram uma taxa extra para emprestar dinheiro para estas pessoas. Depois venderam estas hipotecas, em lotes, para outros bancos ou investidores que aceitaram comprar o risco em troca de uma remuneração no mínimo mais aceitável.

Por algum motivo, o 13 de Março deste ano, um grupo de pessoas com capacidade financeira duvidosa, decidiu deixar de pagar suas hipotecas. Então a Associação de Bancos Hipotecários Americanos anunciou que o índice de execução de hipotecas disparou, e seguidamente o boato de que estava acabando a cerveja espalhou-se na velocidade do som.
Milhares de convidados decidiram retirar seus casacos todos de uma vez e o Bear Stearns não deu conta do recado. Foi o primeiro sinal.

O segundo sinal aconteceu na semana passada. A banda francesa BNP Paribas (que também atende no Brasil) cancelou o show que estava previsto, e automaticamente a cerveja acabou.
Com a liquidez seca, muitos quiseram vender seus títulos lastreados em hipotecas para levantar dinheiro para pagar as dividas, que já existem com outras bandas, mas como não apareceu um único comprador as coisas foram piorando.

Até a ultima sexta-feira os bancos centrais já tinham colocado na praça u$140 bilhões, sinalizando que eles têm dinheiro suficiente para que a cerveja continue correndo livremente na festa e as diferentes bandas continuem tocando.

De cada 10 artigos que falam sobre os atuais problemas financeiros na economia global, 5 falam que é uma crise e 5 falam que não é uma crise.
Eu espero que tudo seja rapidamente resolvido da mesma forma que foi em 1998. Mas também, não contaria muito com isso.

O FED Americano ainda tem opções para tentar conter a crise. Isto é: Colocar mais dinheiro no mercado atraves da venda dos famosos T-Bonds; e/ou abaixar a taxa de juros americanos hoje no patamar de 5,30% ao ano.

Celso Ming escreveu na sua coluna de hoje, no jornal O Estado de São Paulo: O que é o quê? E simplificou tudo numa única pergunta: O que é um fundo de hedge que não é capaz de dar hedge justamente quando se precisa de hedge?

No meio à volatilidade exuberante, aumentei o peso de Ideiasnet no portfolio. Participei do webcast de Rodin Spielmann na ultima quinta-feira e penso que a empresa continua nos trilhos e fiel a sua estratégia, que apresenta uma trajetória de crescimento excelente. Alias, todo investidor deve, sempre que possa, participar destes eventos.
Quarta-feira (15/8) teremos reunião de investidores de ALL.

Índice Bovespa e Dow Jones: 1998 - 2007
Enjoy it!


domingo, junho 24, 2007

XV de Novembro, 275

Não se preocupe, ainda...

Você deve estar agora sentando, ou sentada, na frente de seu computador lendo as linhas publicadas neste post. Seguramente, da mesma forma que se senta quando efetua alguma ordem de compra ou de venda no Home Broaker de sua preferência.
Por favor, não mexa no seu browser o post a continuação é vital para seu bolso nos próximos meses.

Discretamente o prédio se ergue em silencio, passando quase desapercebido para aquele que caminha pela rua concentrado em suas ocupações. Do lado de fora do prédio, pessoas caminham agitadas, do lado de dentro o silencio das gélidas paredes de mármore ocultam o frenesi dos negócios que ocorrem diariamente (aproximadamente r$3,5 Bilhões por dia).
Se você visita o lugar, não espere achar um conjunto de pessoas gritando desaforadamente na tentativa de negociar algum título. No seu lugar, um espaço decorado com alta tecnologia ficara titilando ante seus olhos.
Hoje, os negócios acontecem no pregão eletrônico. No qual, talvez, alguma vez, você e eu nos encontramos sem saber.

Dentro de alguns anos os jornais irão falar deste ano, e dos anos anteriores, como anos de bonança internacional, de expansão econômica, de crescimento, de baixas taxas de juros internacionais e de um forte fluxo de investimentos estrangeiros para o mercado financeiro brasileiro. Da derrubada do Dólar no Brasil e no mundo, da ante-sala ao Grau de Investimento, da queda na taxa Selic a níveis historicamente baixos e do dia que Stock Buster começou alertar de Crise.
Uai, você não lembra de quando Buster falou isto?

Não é minha intenção predizer quando ira acontecer à próxima crise financeira, no Brasil ou no Mundo. Existem inúmeros analistas, Gurus, Jornais, colunistas, investidores, blogueiros, videntes e motoristas de táxi que podem fazer isto com precisão.

Minha principal preocupação esta centrada em dois grupos de investidores, dos quais muitos nem sabe que tem no prédio que se encontra na Rua XV de Novembro, 275:
  • Um dos grupos esta formado por novos investidores que incentivados por sucessivas campanhas de marketing sobre a possibilidade de ganhar dinheiro fácil, investiram seu dinheiro na bolsa. Desde 2003 até hoje este grupo de investimento nunca sofreu nenhuma perda significativa no mercado. Qual será a reação quando o vento não sopre a favor? Seguramente a mesma que em qualquer outra parte do mundo... vender e depois perguntar.
  • O outro grupo esta formado por investidores estrangeiros que motivados pelos baixos retornos obtidos nos seus próprios paises, direcionarão seu dinheiro para o Brasil (e outros mercados emergentes). Hoje representam perto do 30% do volumem total e mais de 70% do volume envolvido nas IPO’s. Em quanto o mercado brasileiro continue atrativo, seus dólares permaneceram por aqui... E depois?... Nesta ultima sexta feira o fundo Bears Stearns (ler mais) preciso de um empréstimo de u$3,2 bilhões. A quase quebra deste fundo gerou ordens de venda nas bolsas de todo o mundo...

Estes dois grupos juntos representam mais de 50% do total negociado na Bovespa. Seu comportamento sem duvida influirá no futuro... e no presente.

A Bovespa continua em sua fase de alta. Algum tipo de correção seria sadio.
Ah! Comprei IDNT3 na ultima segunda feira. Nem acreditei, marquei a mínima do dia. Aquisição a r$4,47. Com isto Ideiasnet esta com um peso de 17% na Plantação.
2007 esta sendo um bom ano. Igual que 2006, 2005, 2004 e 2003.

Mas, preste atenção.
Por enquanto eu não alterei minha estratégia. Só estou ficando mais alerta.

Boa Semana, Bons negócios!
Obs: Visitar a Bovespa vale a pena...